A falta de medicamentos no Centro de Saúde de Metangula está a causar preocupação e sofrimento entre os utentes que recorrem à unidade sanitária em busca de tratamento.
Segundo relatos de pacientes, a ruptura de stock tem obrigado várias pessoas a sair do centro de saúde com receitas nas mãos, mas sem os medicamentos necessários para tratar as suas doenças. Sem outra alternativa, muitos são encaminhados, na prática, para as farmácias privadas, onde os preços dos fármacos pesam no orçamento familiar.
“Vamos ao centro de saúde, recebemos a receita e depois voltamos para casa sem o medicamento. Quem tem dinheiro vai à farmácia, quem não tem fica assim”, desabafou um dos utentes.
A situação representa uma dificuldade acrescida para famílias com baixos rendimentos, sobretudo aquelas que dependem exclusivamente do sistema público de saúde. Para muitos agregados familiares, comprar medicamentos do próprio bolso significa sacrificar dinheiro destinado à alimentação e a outras necessidades básicas.
Entre os casos afectados estão pacientes que procuram tratamento para doenças crónicas, malária, infecções e outras patologias que, quando tratadas atempadamente, podem ser controladas sem maiores complicações.
A falta de medicamentos também coloca pressão sobre a própria unidade sanitária, que continua a receber pacientes, mas nem sempre consegue dar uma resposta completa às suas necessidades. Para os utentes, a dor não está apenas na doença, mas também na impossibilidade de obter gratuitamente os medicamentos prescritos.
“Há pessoas que chegam doentes, fazem a consulta e recebem a receita, mas não têm dinheiro para comprar o medicamento. Algumas acabam por regressar para casa sem tratamento”, relatam pacientes. (Ermelinda João)

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