No distrito de Balama: agentes da PRM detêm jovens em local privado enquanto estorquem dinheiro de venda de ouro

Trata-se de jovens garimpeiros informais da aldeia Murripa, que a todo custo procuram ouro para vender no mercado informal local e garantir a sobrevivência familiar.

Na quarta-feira, 8 de outubro do ano em curso, dois jovens foram interpelados por membros da Polícia da República de Moçambique (PRM), quando saíam da aldeia de Sapamoto, na localidade de Mpaka, em Mavala, no distrito de Balama, à procura de melhores condições de vida.

Segundo os jovens, são garimpeiros que vinham de Sapamoto, concretamente da zona de exploração de ouro no rio Messalo. Depois de adquirirem a preciosa pedra, num total de 10 gramas, decidiram deixar a zona para vender o ouro na aldeia de Murripa, no mesmo distrito. Durante a caminhada, foram encontrados por agentes da polícia, revistados e, na sequência da revista, o ouro foi apreendido. Segundo os jovens, os agentes obrigaram-nos a dividir a quantidade de ouro em partes iguais.

Os garimpeiros recusaram-se a aceitar a divisão e disseram que, pelo menos, poderiam entregar 2 gramas aos agentes. Estes, porém, não aceitaram e decidiram retê-los numa casa, sem os encaminhar ao comando policial, conforme alegam os jovens.

De acordo com outras informações, os jovens conseguiram vender o ouro, mas foram novamente obrigados pelos agentes da polícia a entregar o valor obtido. Até o comprador teria sido levado pelos agentes, que, segundo os relatos, lhe retiraram todo o dinheiro resultante da compra.

Entretanto, familiares e amigos dos dois jovens garimpeiros estão à procura de esclarecimentos e prometem que, amanhã, quinta-feira, 9 de outubro, estarão no comando distrital para saber por que razão os rapazes estavam retidos fora das instalações do comando.

“Será que existe outro posto policial dentro da vila de Balama?”, questionam os familiares e amigos.

Constantino Rai, entrevistado pela nossa reportagem, avançou que alguns polícias, quando estão de folga, em vez de permanecerem em casa ou realizarem actividades do quintal, vestem os fardamentos e deslocam-se a Sapamoto para, alegadamente, extorquir garimpeiros, sem autorização do Comando Distrital da Polícia.

“Até o trabalho que podia fazer o fiscal da agricultura, a polícia já ocupou, como acontece com os vendedores de bambu, carvão e paus, até aos revendedores de carne de caça”, disse Constantino Rai.

Na ocasião, Rai apelou aos agentes da PRM para que actuem dentro da legalidade, afirmando que, actualmente, a província não está segura.

“Se interpelam cidadãos, não devem retê-los em locais clandestinos. É preciso encaminhá-los ao comando, caso haja suspeitas. Não olhem para os bens que eles transportam; simplesmente devem garantir a tranquilidade pública”, apelou Rai. (Abel Buruhane)

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