Os comerciantes da vila-sede do distrito de Palma vivem momentos difíceis. A falta de clientes tem sido uma das maiores preocupações dos últimos meses, e muitos atribuem esta situação à retirada das empresas que antes operavam na vila para dentro do acampamento da TotalEnergies, em Afungi.
Em conversa com a Mozanorte, um comerciante local contou que, desde que as empresas deixaram a vila para se instalarem dentro do perímetro da multinacional, o movimento comercial caiu drasticamente. "Antes, tínhamos muitos clientes: trabalhadores, técnicos e fornecedores que viviam e circulavam por aqui. Havia vida. Agora, com todos concentrados dentro do campamento, as lojas estão vazias", lamenta.
Depois dos ataques de 2020 e 2021, Palma começou a dar sinais de recuperação. A população regressou, os negócios retomaram e até comerciantes de outros distritos e da província de Nampula viam em Palma uma oportunidade. Havia saída para quase tudo. Mas essa dinâmica foi interrompida com a concentração das atividades económicas no interior do projeto da TotalEnergies.
Segundo os comerciantes, a vila perdeu não apenas clientes, mas também oportunidades de negócio. "Quando as empresas estavam aqui fora, o dinheiro circulava. Vendíamos comida, roupas, materiais diversos. Agora, quase tudo o que se consome lá dentro entra diretamente, e nós ficamos de fora", afirma outro vendedor.
Além da queda nas vendas, os preços dos produtos também caíram, como tentativa desesperada de atrair os poucos clientes que ainda passam pelas lojas. "Hoje em dia, não compensa. Mesmo com preços baixos, as vendas não acontecem como antes. Nos tempos bons, a cada dois meses renovávamos o stock, trazíamos novidades. Agora, mal conseguimos vender o que temos", diz.
A população local expressa crescente descontentamento com a forma como a transição foi feita. Sentem que foram excluídos de um processo que, inicialmente, prometia beneficiar o distrito. “As empresas saíram, levaram os trabalhadores, e deixaram Palma vazia. É por isso que muita gente aqui já não gosta da Total”, desabafa um dos moradores.
Apesar das dificuldades, os comerciantes mostram resiliência. Continuam nas ruas, mantendo os seus negócios com esperança de dias melhores. Neste mês de setembro, há sinais de movimento nas saídas do distrito, com as paragens cheias logo nas primeiras horas da manhã reflexo de uma população que, talvez, procura fora o que já não encontra em casa. (BP)

0 Comments