Recursos naturais de Cabo Delgado: grito da população



Terminou no sábado, 25 de abril, a primeira etapa do diálogo nacional inclusivo, onde Alberto Ferreira, membro da comissão, fez um balanço positivo dos 15 distritos da província, exceto os distritos de Ibo e Quissanga, devido à situação em que a província se encontra.

Em uma conferência de imprensa concedida aos jornalistas de Cabo Delgado, Ferreira destacou a aderência massiva da população, tendo sido necessário prolongar horas e dias de trabalho para ouvir o maior número possível de pessoas.

Garantiu ainda que, em junho, haverá o regresso para a segunda fase de audição, com o objetivo de discutir as preocupações levantadas nesta primeira etapa.

Entre as várias questões apresentadas, a população destacou o modelo eleitoral, a gestão dos recursos naturais e minerais que não beneficiam a população de Cabo Delgado, a falta de emprego para os jovens, questões fiscais, a despartidarização do Estado, defesa e segurança, melhores salários para os militares no combate ao terrorismo, o fim da guerra em Cabo Delgado, a promoção da formação local, a falta de infraestruturas adequadas, a independência dos tribunais defendendo que os seus presidentes sejam eleitos e não nomeados, a separação de poderes, a redução da concentração de poder numa única pessoa e a responsabilidade social dos grandes projetos.

Ferreira acrescentou que o diálogo nacional inclusivo é um marco muito importante na história do país, pois, desde a independência nacional em 1975, nunca antes se tinha reunido, na mesma mesa, todos os moçambicanos para discutir os problemas da nação, com o objetivo de promover a união e melhorar as leis do país.

Importa salientar que o diálogo nacional inclusivo está organizado em três níveis o primeiro envolve o Presidente da República e os partidos signatários (nove no total); o segundo corresponde à Comissão Técnica; e o terceiro é composto por grupos temáticos que trabalham com imparcialidade na análise de todas as contribuições recolhidas.

A primeira fase de auscultação decorreu em todo o território nacional e na diáspora. Após a sistematização das contribuições em forma de propostas legislativas, segue-se a fase de audição, com a perspetiva de que, até junho do próximo ano, o país possa contar com novas leis. (Maria Forquilha)

Post a Comment

0 Comments