Transparência e equidade nas negociações: “grito” dos dançarinos em Cabo Delgado



Para comemorar o dia 29 de abril, Dia Mundial da Dança, a Casa Provincial da Cultura reuniu vários grupos e artistas, nomeadamente Academia Octhiva Wina, Academia Aslib, Os Mangarinhos, Os Herdeiros, Tufo de Paquite Quete, entre outros, para expressarem o que melhor sabem fazer: dançar. A data foi instituída pela UNESCO em 1982.

Na ocasião, os artistas (dançarinos) de Cabo Delgado, representados pelo ator e bailarino Amatias Maulana, defenderam que a dança deve ser reconhecida como uma indústria viável na aceitação de projetos culturais, garantindo que os artistas possam prosperar e ter os seus direitos autorais respeitados. Reivindicaram ainda o pagamento justo de cachês, transparência nas negociações e equidade, como forma de assegurar a dignidade profissional.

Os artistas apelaram também à implementação de projetos que envolvam a classe, sublinhando que a arte é uma fonte de sustento e rendimento, além de ser um meio de expressão que deve ser apoiado por todos. Acrescentaram ainda a necessidade de a Direção Provincial da Cultura e Turismo de Cabo Delgado regularizar questões relacionadas com a obtenção do Bilhete de Identidade.

Joel Antanásio Amba, diretor do Departamento da Cultura e Turismo e representante do presidente do Conselho Municipal de Pemba, reconheceu o esforço da Casa Provincial da Cultura na promoção das artes, em particular da dança, como elemento central na valorização cultural da província.

Reafirmou o compromisso com a valorização da dança, não apenas como expressão artística, mas também como uma poderosa ferramenta económica, social e cultural, capaz de gerar emprego, promover a inclusão, educar a juventude e projetar a identidade local além-fronteiras.

Garantiu ainda apoio a iniciativas que promovam talentos locais, destacando que investir na cultura é investir no desenvolvimento humano e na coesão social.

“Ser dançarina sempre foi um sonho, mas não é fácil. Os meus familiares não aceitam a dança com naturalidade, pois entendem que não há futuro que me sustente através dela. Ainda assim, não vou desistir”, afirmou a dançarina Micaela Ricardo.

Por sua vez, Viviane Massarute, iniciante na dança, disse enfrentar muitos desafios. “Não está a ser fácil, mas todos os dias aprendo novas danças e coreografias. Espero ser uma grande dançarina reconhecida internacionalmente”, declarou.

Em Cabo Delgado, a data foi comemorada sob o lema: “Dança como indústria criativa, dignificando o artista e fortalecendo a identidade de Cabo Delgado”. (Maria Forquilha)

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