Escassez de combustível reduz actividade hortícola em Muchimazi


A crise de combustível obriga à redução de áreas de agricultura de irrigação na vila de Insaca, em Mecanhelas, sul da província de Niassa, em Moçambique.

Entre os bairros Namicopo e Mangazi, o rio Muchimazi é mais do que paisagem. As suas margens são fonte de renda e sustento para dezenas de famílias que apostam na extração de areia e, sobretudo, na agricultura de irrigação.

As bombas locais não dispõem de combustível. No mercado informal, o litro da gasolina atinge 250 meticais. Sem o produto acessível, produtores são forçados a reduzir as porções cultivadas e a fracionar a rega. A quebra reflete-se diretamente na produção e na renda.

A carência de combustível não poupa nem quem tem emprego formal e recorreu à horticultura para complementar o salário. É o caso de Juvêncio Ernesto, professor licenciado em Desenho. Com 2 hectares nas margens do Muchimazi, viu-se obrigado a reduzir a porção cultivada porque não suporta o custo para abastecer a motobomba. Abrir uma represa para acumular água foi a técnica encontrada pelo professor para reduzir o consumo de combustível.

Para quem depende do aluguer de motobomba, o impacto é duplo. O custo por cada rega aumentou para mais do dobro. Virgínia Cardoso é um dos casos e, mesmo assim, não garante a irrigação total do campo. Como alternativa, produtores retomam a rega manual, com regadores e balde.

Membros da Associação Rumo ao Desenvolvimento de Mangazi relatam que já não conseguem regar toda a área de uma só vez, confirma Herbert Torque, um dos associados. A falta de combustível agrava a necessidade de uma motobomba para a associação, sustenta Margarida Samuel, membro, afirmando que o aluguer, mais o combustível, torna-se mais dispendioso.

Enquanto o trabalho fica mais difícil, mais lento e pesado, o lucro é uma incógnita. Apesar das dificuldades, abandonar é para quem não começou. Resiliência ao trabalho é a palavra que dá esperança.


O combustível sobe, o custo de vida é desafiador. A dica do professor Juvêncio aos seus colegas é partir para uma atividade extra. A falta de combustível não se pode resumir à falta de viagem. É mais que isso: é produção comprometida, é falta de comida, é falta de dinheiro, é saúde em risco e a vida em jogo. (Jaime Paculeque)

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