População questiona qual é o papel das autoridades e da Movitel perante transações monetárias pelos insurgentes em Cabo Delgado

 


A população tem levantado questões sobre o trabalho dos sectores de investigação e da Movitel em Cabo Delgado. As preocupações surgem na sequência dos acontecimentos registados, há dias, no troço Mueda–Montepuez, onde alguns cidadãos foram obrigados a pagar quantias em dinheiro para serem libertados por homens armados que actuam naquela zona da província.

"Foi uma situação muito triste, pois as vítimas tiveram de contactar os seus familiares ou patrões para que lhes enviassem dinheiro, com o objectivo de pagar o seu resgate", observa uma das fontes.

Segundo relatos, o grupo utilizou um número da rede Movitel, que inclusive já circula nas redes sociais. Após uma das vítimas efectuar a transferência, o número utilizado para receber os valores permaneceu visível.

É sabido que o governo tem instituições, através de mecanismos de rastreamento, consegue localizar e recuperar telemóveis roubados, como se tem verificado em vários casos nos postos administrativos, distritos e cidades.

Perante esta situação, a população questiona por que razão o esses órgãos em coordenação com as Forças de Defesa e Segurança, sobretudo nos distritos afectados pelo terrorismo em Cabo Delgado, não realiza o rastreamento para localizar os autores do crime por meio do número utilizado.

Da mesma forma, questiona-se por que a Movitel não presta apoio às vítimas, identificando a conta utilizada para receber os valores, bloqueando o número e colaborando com as autoridades para responsabilizar os envolvidos.

Este tipo de crime tem-se tornado cada vez mais frequente. Não é a primeira vez que situações semelhantes acontecem. No distrito de Macomia, por exemplo, há registos de vários casos, mas até ao momento não houve qualquer pronunciamento público do governo nem da Movitel sobre estas ocorrências. (BP)

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