Numa conferência de imprensa concedida aos jornalistas, em Pemba, na quarta-feira, 1 de julho, Daniel Chapo afirmou que não existe um Plano Estratégico de diálogo com os terroristas, mas reiterou o apelo para que, através do diálogo, seja possível ultrapassar as diferenças e fazer prevalecer a paz.
Questionado sobre a falta de medicamentos nos hospitais do país, reconheceu a existência de défice, mas garantiu que os medicamentos deverão chegar ao país ainda durante o presente mês.
Relativamente aos casos de xenofobia na África do Sul, explicou que o seu Governo criou, pela primeira vez, o cargo de Secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas na Diáspora. Informou que uma equipa multissetorial, composta por representantes da Migração, INGD, Alfândegas e Ministério do Interior, encontra-se naquele país a acompanhar a situação.
Segundo explicou, cerca de cinco mil cidadãos estrangeiros, maioritariamente malawianos, entraram em Moçambique e foram encaminhados para a Paragem da Junta, em Maputo, estando em coordenação com o Governo do Malawi para o respetivo repatriamento.
No que diz respeito aos moçambicanos regressados, informou que estão a ser transportados em autocarros alugados e, à chegada ao país, são recebidos em Ressano Garcia, onde recebem alimentação, cobertores e assistência antes de serem encaminhados às suas famílias de origem.
Acrescentou que está igualmente a ser feito o levantamento das suas profissões para facilitar o seu enquadramento em futuros projetos, incluindo os ligados ao gás, em Palma.
Segundo os dados apresentados, 194 moçambicanos dos quais 96 homens, 53 mulheres e 45 crianças foram vítimas de manifestações contra imigrantes no bairro de Mamelodi, em Pretória, onde as suas residências foram incendiadas.
Na província de KwaZulu-Natal, 38 cidadãos foram agredidos e obrigados a abandonar as suas casas, entre eles 30 homens, seis mulheres uma das quais grávida e duas crianças.
Na província de Mpumalanga, próximo da fronteira de Ressano Garcia, várias casas de imigrantes foram incendiadas e, até ao final do dia 1 de julho, ainda não era conhecido o número exato de moçambicanos afetados.
Na província de Limpopo, 51 cidadãos refugiaram-se num centro comunitário, no distrito de Wetha Beck, à procura de proteção. Daniel Chapo reconheceu que estes números poderão aumentar caso os ataques continuem e admitiu que a situação continua preocupante.
Sobre a permanência das forças ruandesas em Moçambique, explicou que o financiamento das Forças de Defesa do Ruanda provém do erário público e do apoio da União Europeia, através de acordos celebrados com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e do Ruanda. Acrescentou que os atuais acordos estão próximos do fim, mas decorrem esforços para a sua renovação.
Quanto ao confinamento em Palma, esclareceu que, enquanto persistir a ameaça terrorista, as multinacionais continuarão a operar sob o mesmo regime de segurança.
Contudo, caso o terrorismo seja definitivamente neutralizado, deixará de haver necessidade de manter essas medidas de confinamento. (Maria Forquilha)

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