A população da localidade-sede de Mpaka, no Posto Administrativo de Mavala, distrito de Balama, acusa as autoridades locais, com destaque para Edson Lino, administrador local e o director dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI), de não apresentarem soluções concretas para a persistente crise de falta de água que afecta a comunidade.
Dos nove poços existentes naquela aldeia, apenas dois estarão em condições de fornecer água, uma situação que se revela insuficiente para responder às necessidades de uma população cujo número continua a crescer.
A escassez tem provocado longas filas, conflitos e momentos de tensão entre os moradores, que passam várias horas à espera de conseguir água para as necessidades básicas.
Segundo relatos dos populares, quem se dirige aos poços nas primeiras horas da manhã pode acabar por conseguir água apenas no período da tarde.
“Se vais ao poço de manhã, podes esperar até à tarde para conseguir água. Não podes pensar que vais buscar água e depois seguir para a machamba. Quando vais ao poço, tens de dedicar o dia inteiro a essa actividade”, lamentaram alguns residentes.
Barragem de Chipembe continua sem beneficiar directamente a população
O cenário torna-se ainda mais preocupante pelo facto de Mpaka contar com a barragem de Chipembe, que dispõe de água e se encontra a aproximadamente sete quilómetros da aldeia. A comunidade questiona por que razão, tendo em conta a existência daquela fonte, continua a enfrentar dificuldades extremas para ter acesso ao precioso líquido.
Os moradores apontam igualmente a existência de painéis solares que, segundo afirmam, não estão a ser devidamente aproveitados para garantir o funcionamento de um sistema de abastecimento de água.
Na visão da população, seria oportuno instalar ou reabilitar um sistema de bombagem alimentado por energia solar, capaz de transportar água da barragem até pontos próximos das residências.
“Vamos de madrugada e regressamos às 12 horas. As pessoas movimentam-se 24 horas por dia à procura de água. Às vezes, vamos hoje e só conseguimos água para garantir o dia seguinte. Neste tempo seco, Mpaka está a sofrer”, lamentaram os residentes.
Os habitantes afirmam sentir-se abandonados pelas autoridades, sobretudo porque, no passado, quando a barragem de Chipembe funcionava, vários trabalhadores envolvidos nas actividades eram provenientes da própria comunidade de Mpaka.
Entretanto, os moradores dizem não compreender como foram introduzidos painéis solares sem que, até ao momento, o sistema esteja a garantir o fornecimento de água à população.
A comunidade denuncia ainda que a presença das autoridades e a atenção aos seus problemas são mais visíveis durante os períodos de campanha eleitoral, enquanto as dificuldades do quotidiano continuam sem respostas.
Para agravar a situação, durante a época chuvosa, Mpaka enfrenta problemas de transitabilidade, chegando a ficar praticamente isolada devido à degradação das vias de acesso.
Perante este cenário, a população apela à intervenção urgente do Governo Distrital de Balama, do SDPI e das entidades responsáveis pela gestão da barragem de Chipembe, para que seja encontrada uma solução definitiva para o problema de abastecimento de água.
Os moradores defendem que a água existente na barragem deve beneficiar também as comunidades que vivem nas proximidades, em vez de continuarem a percorrer longas distâncias e a enfrentar filas intermináveis para conseguir um dos recursos mais essenciais à vida.
Enquanto isso, em Mpaka, a pergunta continua sem resposta: como é possível existir uma barragem com água a poucos quilómetros da comunidade, haver painéis solares e, mesmo assim, a população continuar sem água nas torneiras? (Abel Buruhane)
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