A cidade de Pemba em Cabo Delgado deu
início, pela segunda vez este ano, a uma campanha de vacinação contra a
poliomielite, que decorre de 8 a 12 de Julho.
No entanto, a iniciativa tem enfrentado
resistência por parte da população em alguns bairros, que se mostra descontente
e relutante em aceitar a vacina para as suas crianças.
Os vacinadores têm encontrado dificuldades
em mobilizar a comunidade e garantir a adesão à campanha.
Muitos pais e encarregados de educação têm
recusado a vacinação, expressando um sentimento de desconfiança em relação aos
serviços de saúde.
Segundo apurou Mozanorte, uma das
principais queixas prende-se com a percepção de que as campanhas de vacinação
servem apenas para "bons relatórios" por parte das autoridades de
saúde, enquanto outras necessidades da comunidade são negligenciadas.
O bairro de Chuiba é apontado como o local
onde o descontentamento é mais evidente.
Os moradores alegam que foram preteridos na
distribuição de redes mosquiteiras, um benefício que, segundo eles, foi direccionado
apenas a um grupo restrito de pessoas.
Este incidente parece ter gerado um ressentimento generalizado, com a população a questionar a equidade na distribuição de recursos e serviços por parte das autoridades.
"Quando foi a vez das redes
mosquiteiras, vocês não nos contaram e só foi para algumas pessoas", é um
dos comentários frequentemente ouvidos, reflectindo a frustração e a sensação
de que os serviços de saúde não estão a operar de forma justa e transparente.
Apesar dos desafios, a campanha de
vacinação prossegue, com muitas crianças a serem vacinadas nas escolas, graças
à colaboração e apoio das direcções escolares.
A continuidade da campanha é crucial para
garantir a erradicação da pólio na região e proteger a saúde das crianças de
Pemba. (Sifa Artur)

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