Quando se preparava para mais uma campanha de educação sobre a importância dos santuários marinhos e proibição de artes de pescas nocivas no Parque das Quirimbas (PNQ), eis uma decisão de funcionários de má fé, violam seus princípios e pelo seu gosto no dinheiro, autorizaram a pesca em um dos importantes santuários perto do Ibo, a vista do próprio escritório marinho do PNQ.
Membros e activistas das comunidades que a todo gás lutam para uso sustentável dos recursos marinhos nos arredores da vila de Ibo, uma área do parque nacional das Quirimbas, dizem-se desapontados pelo facto de certo grupo de funcionários do PNQ, afectos no escritório de Ibo, autorizarem pesca num santuário próximo aquela ilha de Cabo Delgado, em troca de valores monetários.
Os activistas ambientais, que consideram a autorização da prática que lesa os esforços conjuntos de conservação marinha, revelaram ao "Mozanorte" que a pesca no santuário foi no dia 20 de setembro sob um olhar impávido dos mesmos funcionários do PNQ.
"Esses todos sabem, aqui toda gente sabe, e nada foi feito para travar. Isso na verdade é mais um "abuso de poder e certa cobardia", no seu mais pior acto, de reduzir os esforços que estamos a fazer para educação da população sobre a importância da biodiversidade marinha", denunciou o activista que pediu para ser identificado por A, apontando que o peixe estava sendo descarregado do barco enquanto era visto pelos fiscais do PNQ.
O pior ainda, para um dos denunciantes da comunidade e membro do Conselho Comunitário de Pesca local, os próprios fiscais que estão envolvidos nestas acções e, supostamente usaram o dinheiro que receberam "atrás das cortinas" para comprar o peixe capturado no santuário onde eles próprios têm a missão de proteger.
Um outro activista local de uma organização local, também desapontado com a prática que envolve trabalhadores do parque nacional das Quirimbas, não tem dúvidas que os mesmos foram aliciados por valores monetários. Este explicou que o barco autorizado a pescar no santuário, pertence à um funcionário do Governo Distrital.
Lamenta que apesar de ser de domínio das autoridades locais e os esforços em curso para ações conjuntas para a promover o uso sustentável dos recursos naturais com a comunidade, não houve alguma acção para a responsabilização, temendo que essas práticas venha a ser mais recorrentes.
"Um funcionário do PNQ fez um trato com um senhor que tem uma embarcação de pesca, que é trabalhador do registo e notariado, e o barco foi ao santuário fazer a pesca, acontece que outros trabalhadores viram isso e se insurgiram..., então aqui há duas coisas, a conivência do funcionário e infração por parte da embarcação, e não se sabe se isso é primeira vez, segunda, pode ser uma coisa recorrente" começou por denunciar o activista ambiental radicado na ilha de Ibo.
Mais adiante, a fonte critica o silêncio das autoridades "aqui estão a fazer complemento o universo aos objetivos da conservação, uma coisa pequena como Ibo, os dirigentes deviam saber tudo o que está acontecer, portanto, sabem que há pesca no santuário e não fazem nada, isso aconteceu no dia 20, e foram os próprios funcionários que denunciaram o caso, portanto, o colega deles", salientou.
A inquietação não para por aqui. É que de acordo com a denúncia, há um silêncio profundo das autoridades locais, dos líderes e da liderança do parque nacional das Quirimbas, o que chega a se suspeita que foi uma acção coordenada das autoridades locais, para sabotar os esforços de conservação e sensibilização sobre os uso responsável dos recursos marinhos.
Num encontro realizado recentemente envolvendo vários actores chaves, incluindo os fiscais do PNQ com vista a unir esforços e agir de forma coordenada para a sensibilização da comunidade a evitar práticas nocivas que comprometam o uso e gestão sustentável dos recursos naturais na região, torna-se um desafio para quem participou e esperava mais acções de sensibilização.
Contactado um responsável do PNQ na ilha de Ibo, este disse que saiu da área dois dias antes da pesca acontecer, devido a uma actividade com um projecto liga ao serviço. Quando regressou, não levou muito tempo, saiu a Pemba para tratar de assuntos pessoais.
Uma insistência para facultar o contacto do seu colega que estava no período em que ausentou, aquele responsável disse que não poderia proceder a entrega do contacto "Me desculpe eu não posso fazer isso ai", respondeu.
Os entrevistados apelam à que é de direito para agir com precisão sobre uma situação, que não reduz o esforço sobre a conservação no arquipélago das Quirimbas, mas que configura uma crime, de pesca consentida em áreas proibidas.
Sobre os santuários
Os santuários marinhos são cruciais por protegerem a biodiversidade marinha, servindo como refúgios para espécies ameaçadas e permitindo a recuperação de ecossistemas críticos e sensíveis, importantes para manter o equilíbrio ecológico da biodiversidade marinha, servindo como áreas para reprodução, alimentação e refúgio das espécies, assim como o reabastecimento dos stocks pesqueiros.
Eles também contribuem para a segurança alimentar e econômica de comunidades costeiras, que dependem da pesca e do turismo. Além disso, são importantes para a preservação do patrimônio cultural, protegendo locais históricos e culturais submersos, e para a regulação do clima e a manutenção da produção de oxigênio, entre outras funções. ( & Mozanorte)


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