
Na celebração do Eid al-Fitr, que marca o fim dos 30 dias de jejum do Ramadão na religião muçulmana, a comunidade islâmica do distrito de Chiúre, na província de Cabo Delgado, denunciou alegados casos de proibição de alunas frequentarem aulas por estarem trajadas com véu, uma prática tradicional da fé islâmica. A situação tem gerado indignação entre pais e encarregados de educação.
De acordo com o sheik Issa Sinésio Maulana, representante da comunidade islâmica local, esta prática contraria o disposto no ofício nº 1866, emitido em 2015 pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano. O documento, no seu ponto 1, esclarece que é permitido o uso de lenço e véu nas escolas, com exceção da burca.
A denúncia foi tornada pública através de uma mensagem apresentada durante as festividades do Eid al-Fitr. Na mesma ocasião, a comunidade apelou igualmente à instalação de iluminação pública nas principais vias da vila, alegando que a falta de candeeiros contribui para o aumento da insegurança, num contexto marcado pela ameaça do terrorismo na província de Cabo Delgado, particularmente no distrito de Chiúre.
Após 30 dias de jejum, oração e sacrifício, os fiéis muçulmanos celebram o Eid al-Fitr, correspondente ao ano 1447 do calendário islâmico. Durante as comemorações, a comunidade reforçou o apelo às autoridades para a manutenção da paz, sublinhando que “o Islão é paz”.
O apelo surge num momento em que Cabo Delgado enfrenta, há cerca de nove anos, uma situação de instabilidade provocada por ataques terroristas, que já resultaram em inúmeras mortes e no deslocamento de milhares de pessoas das suas áreas de origem. (Celestino Carlos)
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