Insegurança deixa ADPP de Bilibiza andando um lado para outro

 


Desde que os Al-Shabaab, vulgarmente chamados de terroristas, vandalizaram a Escola Agrária de Bilibiza, no distrito de Quissanga, em Cabo Delgado onde funcionava a escola da ADPP, a instituição ainda não tem um local fixo para formar os seus professores.

Segundo o director da Escola de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP), Ernesto Agostinho Parivo, voltar para Bilibiza, em Quissanga, será difícil. De acordo com esta fonte, o investimento que a ADPP tinha feito não será fácil de recuperar, pois a sabotagem foi muito grande.

“Depois de termos sido expulsos de Bilibiza por causa dos terroristas, viemos para a cidade de Pemba, onde funcionámos durante algum tempo no IFP Alberto Joaquim Chipande. Desde o dia 1 de Outubro de 2025 estamos a funcionar no CEPAN, no bairro de Chuiba”, disse Ernesto Parivo.

Ernesto Parivo acrescentou ainda que, desde o dia 1 de Outubro, a ADPP está a funcionar no edifício do Centro de Pesquisa do Ambiente e Pescas (CEPAM). Para permanecer naquele local foi estabelecido um acordo entre as duas partes por um período de cinco anos, apenas para garantir a manutenção do edifício.

“Estamos naquele edifício também no âmbito de acolhimento à ADPP, depois das dificuldades que sofremos de onde viemos”, afirmou.

O responsável explicou ainda que o estabelecimento de ensino continua a enfrentar grandes desafios, porque o edifício cedido não é suficiente. Muito material ficou no local onde funcionavam anteriormente. O espaço de internato é reduzido, e homens e mulheres quase vivem no mesmo bloco, sendo separados apenas pelas salas.

“O transporte é um grande desafio para recolher os nossos professores, que estão dispersos em diferentes bairros da cidade de Pemba. Nos táxi-motas pagamos 100 meticais só de ida. A nossa luta é conseguir um parceiro que possa ajudar com um mini-autocarro para transportar os funcionários, mas está difícil”, disse Parivo.

A ADPP tem também a ideia de recuperar um mini-autocarro que está avariado há anos, mas não dispõe de dinheiro para isso. Os parceiros que poderiam ajudar também enfrentam dificuldades no continente europeu.

“O pior de tudo é que, quando entrámos neste centro, encontramos uma dívida de energia de 250 mil meticais. Para amortizar, estamos a pagar 56 mil meticais mensalmente. Talvez possamos reduzir, mas isso também nos preocupa”, afirmou.

Actualmente, o estabelecimento de ensino conta com 110 estudantes, sendo 50 homens e 60 mulheres. Estes estão distribuídos em 40 estudantes do 1.º ano, 36 do 2.º ano e 34 do 3.º ano. Do total, 43 são internos e 67 externos. A instituição conta ainda com 15 professores, todos do sexo masculino, na cidade de Pemba. (Abel Buruhane)

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