No bairro 16 de Junho, no distrito da Ilha de Moçambique, cerca de 8.464 habitantes foram afetados pelas recentes chuvas intensas e pelos ciclones que assolaram a região. De acordo com o líder comunitário, Juma Ussene Faquira, os estragos atingiram várias zonas sob a sua jurisdição, desde o mercado local até às áreas de Yasagi, Kateia e Muanoa.
Segundo o líder, “as chuvas não escolheram ninguém”, tendo causado prejuízos significativos, sobretudo às famílias mais vulneráveis, muitas das quais perderam casas, bens e machambas.
Apesar das dificuldades, Faquira destacou os esforços das autoridades locais e o apoio recebido de diferentes organizações. Entre os projetos implementados, cerca de 1.130 famílias beneficiaram de assistência do Programa Mundial de Alimentação (PMA), da Fundação Txutxi e de iniciativas de resposta humanitária no contexto da COVID-19.
No âmbito do apoio do PMA, as famílias beneficiárias receberam assistência em três fases, cada uma avaliada em 5.810 meticais. Além disso, recentemente, algumas famílias receberam um apoio adicional de 6.000 meticais, no quadro da resposta à COVID-19. Segundo o líder comunitário, estes apoios ajudaram a aliviar, ainda que parcialmente, a situação de muitas famílias.
No entanto, nem todos foram contemplados. O líder comunitário apelou à continuidade e à expansão dos programas de assistência, de modo a alcançar as famílias ainda excluídas. Defendeu também a criação de oportunidades de emprego para os jovens, incluindo a instalação de uma fábrica de processamento de caju na zona de Cajita, como forma de reduzir o desemprego e a criminalidade.
“Gostaríamos que mais projetos chegassem à comunidade, principalmente para apoiar os jovens e evitar que recorram a práticas ilícitas por falta de oportunidades”, afirmou.
População reclama exclusão no acesso ao apoio
Em entrevistas realizadas com alguns residentes afetados, várias pessoas manifestaram insatisfação com o processo de seleção dos beneficiários.
Muahassane Issufo relatou que sofreu grandes prejuízos após as chuvas, tendo perdido parte da sua produção agrícola e enfrentado dificuldades para reconstruir a sua casa. “Desde que começaram as inundações, nunca recebi apoio. Sempre fazem listas, mas a minha casa nunca é escolhida”, lamentou.
Outro residente, também identificado como Issufo, afirmou que a sua situação continua crítica: “Perdi tudo: casa, machamba e bens. Até hoje não consegui recuperar nada. Quando há distribuição de ajuda, nunca sou contemplado”.
Um terceiro entrevistado, que preferiu não se identificar, destacou a destruição das machambas e o agravamento da insegurança alimentar. Acrescentou ainda preocupações com roubos nas áreas agrícolas, apelando por maior apoio e segurança.
Apelo por mais apoio e soluções sustentáveis
Diante do cenário, a população pede maior transparência na distribuição da ajuda e o reforço das intervenções governamentais e de parceiros humanitários. Entre as principais necessidades apontadas estão materiais de construção para a reconstrução das casas, apoio agrícola e criação de empregos para os jovens.
Apesar dos desafios, a comunidade mantém a esperança de que novas iniciativas possam contribuir para a recuperação e a melhoria das condições de vida no bairro 16 de Junho.(Aminatho Zaharia Atumane)

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