Caça aos produtos agrícolas: Mais de 100 balanças espalhadas pelo distrito de Chiúre

 

Antes do lançamento da campanha de comercialização ao nível da província de Cabo Delgado, o distrito de Chiúre já iniciou uma campanha clandestina em todos os postos administrativos.

Segundo José Nama, camponês do Posto Administrativo de Ocua, enquanto o Governo se prepara para o lançamento oficial da campanha de comercialização em todos os cantos do distrito, os comerciantes já iniciaram, há cerca de um mês, a compra de produtos agrícolas com preços sem controlo.

“A campanha de comercialização em Chiúre arrancou há um mês, sem qualquer ordem, com preços que variam entre 5,00 e 7,00 meticais, tendo como limite 10,00 meticais por cada quilo de milho. Esta proposta partiu dos próprios comerciantes”, disse José Nama.

José Nama avançou ainda que os comerciantes espalhados pelas aldeias são protegidos por líderes comunitários, chefes de aldeia, autoridades locais, postos administrativos e até por agentes da Polícia, sem que haja qualquer reação por parte dessas estruturas.

A fonte explicou ainda que os donos das balanças, ao chegarem às aldeias, mantêm conversas à porta fechada com as estruturas locais, oferecendo benefícios em troca de proteção. Segundo ele, quando os populares tentam expulsar os comerciantes, são impedidos pelos chefes locais.

“Não nos custa nada expulsar alguém que traz uma balança para a aldeia, mas eles têm proteção por parte das estruturas locais”, explicou.

Contactado, o chefe da aldeia de Natuco, em Ocua, afirmou que, quando tentam sensibilizar os camponeses para não venderem os seus produtos, estes respondem:

“Eu estava a capinar na minha machamba e, se estou a vender, é para comprar sabão, medicamentos e conseguir melhores comprimidos, que só se encontram nas farmácias privadas.”

“Se o Governo montou estas estruturas, desde os distritos até às aldeias, é para proteger a vida das populações, controlar aquilo que prejudica os populares e não aceitar práticas nocivas trazidas por pessoas mal-intencionadas”, afirmou Germias Anselmo.

Os populares acrescentaram ainda que os comerciantes usam frequentemente a expressão “o natural não treme”, querendo dizer que, independentemente das reclamações, continuarão a comprar os produtos sem impedimentos, porque já contam com proteção e barreiras montadas. ( Abel Buruhane)

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