Chiúre recebe "lixo" de Tete. Como a pele de boi está a fazer parte da vida da população de Chiúre

 


Há três anos, o distrito de Chiúre província de Cabo Delgado está a receber pele de gado bovino abatido há cerca de cinco anos, cuja carne já foi consumida.

Segundo relatos de algumas pessoas, o distrito começou a receber essas peles há três anos, sendo posteriormente revendidas na vila de Chiúre, prática que já se está a expandir para vários distritos da província de Cabo Delgado.

“O distrito de Chiúre recebe grandes quantidades de pele seca de boi proveniente de Tete. As pessoas compram, cozinham e servem como caril. O produto também é vendido em barracas e bancas onde se consome cabanga, uma bebida tradicional”, explicou um residente da vila de Chiúre.

Os entrevistados explicaram ainda que, embora não seja carne propriamente dita, o cheiro desperta o apetite e incentiva as pessoas a comprarem mais pele de boi para consumo.

“Essa pele é muitas vezes acompanhada com bebidas alcoólicas, servindo como petisco, caracata, farinha de mandioca seca e até farinha de milho”, afirmou Lar Mário.

Lar Mário acrescentou ainda que a pele vendida não traz benefícios nutricionais ao organismo, nem vitaminas, servindo apenas para dar sensação de saciedade e evitar a fome.

No fundo, a chegada de pele de boi a Cabo Delgado é considerada uma espécie de “lixeira” para consumo, enquanto nos países desenvolvidos a pele é utilizada para o fabrico de casacos, sapatos, cabos de faca, entre outros produtos.

Importa salientar que os pedaços de pele variam entre 25, 50, 75, 100 e até mil meticais, dependendo do tamanho. (Abel Buruhane)

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