OTM em Cabo Delgado apela à denúncia de instituições que violam as normas jurídicas laborais

Foto: Repórter Maria Forquilha, praça dos heróis Pemba 

A Praça dos Heróis, em Pemba, província de Cabo Delgado, acolheu as cerimónias centrais do Dia Internacional dos Trabalhadores. A efeméride contou com desfile de trabalhadores de diferentes instituições, vestidos a rigor e ostentando os seus dísticos, na presença do governador da província e de outros representantes do governo.

Após a deposição de coroas de flores, o secretário do sindicato da Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM) em Cabo Delgado, Manuel André, dirigiu-se aos funcionários, afirmando que a OTM em Moçambique comemora 50 anos entre avanços e retrocessos na luta do movimento sindical. Reconheceu que alguns empregadores, com atitudes antissindicais, continuam a violar a legislação vigente no país e outros direitos conquistados desde 1886.

Sublinhou ainda que o trabalhador merece um salário digno e justo, que satisfaça as necessidades básicas, e que os empregadores devem olhar para os trabalhadores como o ativo mais valioso da empresa ou instituição. “Sejamos vigilantes, denunciem as entidades empregadoras que violam as normas jurídicas laborais”, disse.

Acrescentou ainda que, entre 2025 e 2026, em Cabo Delgado, 14 empresas de vários ramos de atividade foram encerradas por motivos não claros, afectando negativamente mais de 250 trabalhadores.

Por sua vez, Valige Tauabo exortou os presentes a encarar o trabalho como um património, pois dele depende o crescimento da empresa e do trabalhador. Alertou que sabotagens ou desvios de bens contribuem para o enfraquecimento das instituições, reduzindo a produtividade e comprometendo o crescimento individual e coletivo.

Advertiu ainda para que não se pautem por manifestações desordeiras, pois estas comprometem o equilíbrio e abrem espaço para vândalos, oportunistas e sabotadores.

Carmen Aguiar, trabalhadora do Tribunal Aduaneiro, afirmou que o grande desafio no dia a dia é cumprir as metas laborais sob pressão. Disse que, no início, enfrentou várias dificuldades, mas manteve-se firme e conseguiu impor os seus direitos.

Marisa Nelito, funcionária da Inspeção Geral do Trabalho, apelou à juventude para ser dinâmica e proativa, incentivando o empreendedorismo como forma de autossustento e de alcançar os seus objetivos. Destacou que o Estado já não consegue empregar todos e encorajou os trabalhadores a terem coragem de denunciar irregularidades, não apenas por si, mas também para ajudar outros na mesma situação.

Este ano, em Moçambique, a data comemora-se sob o lema: “50 anos na luta pelos direitos dos trabalhadores e sindicais.” (Maria Forquilha)

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