A população do distrito de Quissanga, situado na província de Cabo Delgado,
norte de Moçambique, enfrenta uma situação extremamente difícil, marcada pelo
aumento considerável dos preços dos produtos alimentares essenciais e pela
escassez de recursos naturais que historicamente sustentaram a economia local.
Estamos neste caso a falar da população de Quissanga-sede, que já não vê
bons resultados da pesca.
Os moradores relatam que os preços dos produtos básicos de alimentação,
como o arroz, que agora custa 100 meticais por quilograma, e o açúcar, que
alcançou 105 meticais por quilograma, tornaram-se inacessíveis para muitas
famílias.
Além disso, outros itens alimentares essenciais também registaram aumentos
significativos, agravando a crise que já afecta a região desde que as famílias
regressaram dos locais onde se tinham refugiado.
A situação é ainda mais preocupante para os pescadores locais, que já não
conseguem realizar suas actividades de pesca com a mesma frequência e sucesso
de antes.
Segundo o senhor Balamade, pescador da região, "não sai peixe como
antigamente", o que tem impactado directamente a subsistência das famílias
que dependem da pesca para seu sustento.
O cenário se agrava com a escassez de chuvas, que afectou as machambas,
dificultando a produção de alimentos agrícolas essenciais.
Além disso, os moradores relatam que o apoio que anteriormente recebiam de programas assistenciais tem sido interrompido, o que deixa muitas famílias sem suporte nesse momento crítico.
A falta de chuva neste ano tem sido particularmente devastadora para os
produtos lançados na terra prejudicando a produção local e intensificando a
dependência dos mercados externos, cujos preços elevados dificultam ainda mais
o acesso a alimentos.
As mulheres da região, que tradicionalmente se dedicam ao cultivo de
machambas e à pesca, também têm enfrentado dificuldades. Algumas continuam a
praticar actividades como a pesca com redes pequenas (conhecida como malhação),
mas a produção tem sido insuficiente para garantir a segurança alimentar das
famílias.
Com esses desafios, a situação em Quissanga exige uma resposta urgente das
autoridades locais e organizações de apoio para mitigar os impactos da crise e
fornecer assistência alimentar contínua à população. (Seven Mussa)

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