Denúncias apontam exploração ilegal de carvão e falta de fiscalização na área do Parque Nacional das Quirimbas em Quissanga



Moradores e activistas locais e da cidade de Pemba, denunciam o aumento da produção e comercialização de carvão vegetal dentro e nas zonas adjacentes ao Parque Nacional das Quirimbas (PNQ), numa situação que, segundo as fontes, está a contribuir para a degradação florestal e para o enfraquecimento da conservação ambiental naquela região de Cabo Delgado.

As denúncias apontam para a existência de fornos de carvão em funcionamento nas proximidades do posto de fiscalização de fiscais do parque nacional das Quirimbas de Napuda, no distrito de Quissanga, um local que, segundo os relatos, se encontra abandonado ou sem presença regular dos funcionários.

De acordo com informações de membros da sociedade civil e activistas, a produção de carvão é actualmente uma das principais actividades económicas em várias comunidades locais como Namau, Arimba e Nanhoma. 

Suspeitam também que haja outras pessoas envolvidas para explorar com vista a alimentar o negócio de carvão, tornando uma actividade de riscos para a floresta, mas sobretudo por ser em área de conservação que era suposto ter maior controle das autoridades.

É daquelas zonas de origem do carvão que, alegadamente, é transportado diariamente para Paquite, na cidade de Pemba, onde existem pontos de armazenamento e comercialização bem mesmo sob olhar de que poderia pelo menos avançar com outras políticas sustentáveis ao meio ambiente.

As mesmas fontes afirmam igualmente que a exploração florestal ocorre de forma desordenada ao longo da estrada Metuge–Quissanga, sendo acompanhada por práticas de caça furtiva. Segundo os denunciantes, a redução da fauna selvagem, incluindo gazelas e antílopes, tem sido agravada pelo uso de armadilhas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais.

Em Messanja, por exemplo, os moradores relatam uma perda significativa da cobertura florestal, descrevendo a área como severamente afectada pelo abate de árvores para produção de carvão.

As críticas dirigem-se igualmente à administração do Parque Nacional das Quirimbas. Estas fontes alegam que a fiscalização tem sido insuficiente e questionam a ausência de acções visíveis para travar a exploração ilegal dos recursos naturais.

De acordo com os denunciantes, a falta de apreensões, multas ou processos conhecidos levanta dúvidas sobre a eficácia do sistema de controlo ambiental.

Outrossim, a falta de acções para controlar as questões de frequente violação de áreas do Parque Nacional das Quirimbas que neste ano celebra 24 anos não sugere sua inexistência no mapa.

No âmbito das comemorações do Dia do Parque Nacional das Quirimbas – Reserva da Biosfera (PNQ-RB), em junho passado, foram realizadas diversas atividades de sensibilização e educação ambiental nos distritos de Ancuabe e Metuge, reforçando o compromisso com a proteção e conservação do meio ambiente.

Segundo informações em poder do Mozanorte, no distrito de Ancuabe, a equipa do destacamento de Muaja, composta por três fiscais e dois agentes da Polícia do Meio Ambiente, deslocou-se à Escola Básica de Muaja, onde promoveu uma palestra sobre a importância das áreas de conservação, a missão do Parque Nacional das Quirimbas e o papel das comunidades na preservação dos recursos naturais.

Durante a sessão, alunos, professores e líderes locais tiveram a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos sobre a conservação da biodiversidade. Os estudantes demonstraram grande interesse e participação, tendo alguns manifestado o sonho de se tornarem futuros fiscais, inspirados pelo trabalho desenvolvido na proteção do património natural.

As cerimónias centrais do Dia do Parque Nacional das Quirimbas – Reserva da Biosfera decorreram no distrito de Metuge, concretamente na localidade de Messaja, Posto Administrativo de Metuge-Sede. O programa incluiu palestras conduzidas por técnicos e fiscais do parque, que abordaram o histórico da criação da área de conservação e o processo da sua elevação à categoria de Reserva da Biosfera.

Um dos momentos marcantes da celebração foi a oficialização do Clube Ambiental da Escola Básica de Messaja, iniciativa que visa fortalecer a educação ambiental e incentivar as gerações presentes e futuras a participarem na gestão sustentável dos recursos naturais.

As atividades reforçaram ainda o compromisso das comunidades na proteção e vigilância dos recursos naturais, destacando a importância da participação ativa da população na conservação do meio ambiente.

O evento contou com a presença do Chefe do Posto Administrativo de Metuge-Sede, chefes das localidades e aldeias de Messaja e Mequidane, direção da escola, docentes, alunos e representantes do Parque Nacional das Quirimbas – Reserva da Biosfera, incluindo o Chefe da Fiscalização, Chefe das Operações, chefes das repartições, fiscais e técnicos.

Sob o lema "PNQ-RB: 24 Anos no Compromisso da Proteção e Conservação do Meio Ambiente", as celebrações reafirmaram a missão do Parque Nacional das Quirimbas na preservação da biodiversidade e na promoção da educação ambiental, inspirando as novas gerações a assumirem um papel ativo na conservação do património natural de Moçambique. (Mozanorte)

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