Não se consegue disponibilizar avião para a rendição das FDS em Afungi–Palma



Devido às chuvas que caem dia após dia, as Forças de Defesa e Segurança (FDS) que se encontram em missão de serviço em vários distritos da província de Cabo Delgado não estão a ser rendidas, uma vez que as estradas se encontram em más condições.

Para as forças posicionadas noutros pontos da província, a situação até pode ser compreendida, uma vez que os Ministérios do Interior e da Defesa nunca recorreram ao uso de aviões para as rendições, o que torna o processo bastante complicado neste momento. No entanto, a situação é diferente para as forças que se encontram no Teatro de Operações Especiais de Afungi (TOEA).

No caso das companhias destacadas no TOEA, em Palma, a responsabilidade recai também sobre a empresa TotalEnergies, uma vez que estas forças prestam serviços às empresas que operam no âmbito da Total. Algumas companhias já se encontram no terreno há quatro meses, enquanto outras estão prestes a completar cinco meses sem rendição.

Sempre que as forças entram em contacto com a direção máxima, é-lhes informado que estão a ser feitos esforços em vários sentidos para a sua retirada. Contudo, o atraso é justificado pelas más condições das estradas, apesar de se saber que as forças deslocam-se a partir de todas as províncias do país para cumprir esta missão.

As FDS queixam-se de que a empresa TotalEnergies, juntamente com os seus colaboradores, que alegadamente não garante boas condições de trabalho aos membros destacados no TOEA. Segundo as forças, a alimentação fornecida é insuficiente para quem trabalha naquela zona da província de Cabo Delgado. Estes também criticam o governo.

Um dos nossos colaboradores, destacado em Afungi, afirmou que, durante a época chuvosa, é desmotivador trabalhar naquela região como polícia ou militar. Segundo ele, utilizam viaturas sem lonas, as torres de controlo permitem a entrada de água, há muitos mosquitos e o repelente distribuído é insuficiente e ineficaz.

As FDS afirmam ainda que não se consegue gerir adequadamente a força moçambicana, uma vez que estas dificuldades não se verificam com a força ruandesa que opera no mesmo contexto. Durante as formaturas, os membros apresentam estas preocupações aos seus superiores, que afirmam reportar constantemente a situação à empresa, sem sucesso.

Relativamente ao subsídio que as Forças de Defesa e Segurança recebiam anteriormente, este foi cancelado há cerca de três anos e, até ao momento, não foi reposto. Segundo relatos de alguns membros que já completaram três meses em missão, estes sentem-se injustiçados e responsabilizam a empresa TotalEnergies e o governo pela situação.

Tanto as FDS como a população do distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, afirmam já não confiar na empresa, alegando que esta não mantém um bom relacionamento com as comunidades locais. Por esse motivo, registam-se manifestações frequentes nas suas instalações, por vezes em intervalos inferiores a três meses.

As FDS apelam às suas direções, em coordenação com a empresa TotalEnergies e do governo, para que se trabalhe urgentemente no sentido de resolver esta situação. Recordam que passaram a quadra festiva e o início do novo ano em serviço, longe das suas famílias, e afirmam que as dificuldades enfrentadas comprometem seriamente a qualidade do trabalho desenvolvido. (Mozanorte)

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