A população de Quinga está a expressar forte indignação face à atuação do projecto AMA naquela comunidade costeira. Residentes afirmam que o projecto tem avançado com actividades sem prestar informações claras à população, gerando desconfiança e preocupação quanto aos seus reais objectivos.
Segundo relatos locais, quando as equipas do projecto AMA se deslocam à região, realizam reuniões apenas com responsáveis de sectores, deixando de fora grande parte da população e até mesmo outros funcionários públicos que não ocupam cargos de chefia. Instituições como a PCLF, a CCP, a ITRANSMAR e o INAMAR, segundo os residentes, nem sempre são envolvidas de forma transparente, apesar de contribuírem com recursos e subsídios para deslocações que, em muitos casos, se prolongam por pelo menos três dias.
A revolta aumentou quando técnicos ligados ao projecto chegaram à praia e entraram no mar para realizar um mapeamento da área, sem qualquer explicação prévia à comunidade. Dias depois, foram colocadas boias para sinalizar uma zona onde a pesca passou a ser proibida. Muitos pescadores afirmam que foram surpreendidos pela medida e que não foram consultados nem informados sobre os limites, as milhas abrangidas ou o período da interdição.
Outra preocupação apontada pelos moradores é o facto de o projecto ter prometido, numa fase inicial, a construção de uma torre de fiscalização para a CCP, bem como a disponibilização de uma embarcação para apoiar a fiscalização na praia de Quinga. Apesar da construção da torre, os residentes afirmam que até ao momento não existe fiscalização efectiva no local. O equipamento oferecido, como binóculos, estaria sob posse do chefe do posto administrativo, sem utilização prática visível por parte dos membros da comunidade.
Para agravar o descontentamento, há relatos de que, antes mesmo de cumprir as promessas feitas, o projecto terá iniciado um novo programa, escolhendo uma área na praia de Nico para futura reserva ou vedação, novamente sem esclarecimentos públicos sobre a duração da medida ou os seus impactos.
Os moradores afirmam sentir-se excluídos de decisões que afectam directamente o seu sustento, sobretudo numa zona onde grande parte da população depende da pesca artesanal para sobreviver. “Estamos preocupados porque não sabemos qual é o verdadeiro objectivo do projecto”, referem alguns residentes, exigindo maior transparência, diálogo aberto e o cumprimento das promessas já feitas.
A população de Quinga pede, assim, que as autoridades competentes e os responsáveis pelo projecto AMA promovam encontros comunitários alargados, onde todas as dúvidas possam ser esclarecidas, evitando conflitos e garantindo que o desenvolvimento da região não prejudique os meios de subsistência locais. (BP)

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