Uma visita de estudo realizada por alunos da 9ª classe da Escola Básica de Chapola ao Lago Chirua, província de Niassa, revelou um cenário preocupante: o ecossistema do lago enfrenta ameaças graves e os recursos pesqueiros estão em risco.
A actividade decorreu no dia 2 de maio de 2026, na Comunidade de Puli, Posto Administrativo de Insaca, Distrito de Mecanhelas. Inserida nos Temas Transversais da disciplina de Língua Portuguesa, com o tema “Visita a Locais de Interesse Turístico”.
Durante o trabalho de campo, orientado pelo Professor Jaime Paculeque e pela Técnica da Secretaria, Rosa Uriamo, os estudantes observaram diretamente as ameaças ao ecossistema aquático. Constataram que o uso intensivo de redes de arrasto e de malha reduzida, incluindo redes mosquiteiras, está a impedir a reprodução das espécies. Os alunos relataram escassez de pescado e captura frequente de peixes muito pequenos.
Verificaram ainda a ausência de latrinas e o acesso limitado a água potável nas margens do lago, situação que coloca em risco a saúde das famílias que dependem daquele recurso. Foram também registados sinais de poluição da água e acumulação de lixo nas imediações, agravando o desequilíbrio ambiental.
Para a comunidade escolar de Chapola, a preservação do Lago Chirua é imprescindível para proteger o meio ambiente e garantir o sustento das futuras gerações. No relatório da visita, os estudantes recomendam medidas urgentes como fiscalização rigorosa para travar o uso de artes de pesca ilegais, investimento em saneamento básico com construção de latrinas e furos de água, e campanhas de sensibilização ambiental dirigidas a pescadores e moradores.
Apesar dos problemas, os alunos destacaram que, com gestão adequada, o Lago Chirua pode tornar-se um motor de desenvolvimento económico local. O turismo sustentável, aliado à conservação, pode gerar emprego e rendimento para a Comunidade de Puli sem esgotar os recursos naturais. (Jaime Paculeque)

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