Com o caso do desvio de produtos alimentares destinados aos deslocados de guerra, supostamente envolvendo o administrador do distrito de Quissanga, ocorrido na quinta-feira, 14 de Maio do corrente ano, agravaram-se ainda mais os problemas com os naturais daquele distrito.
Trata-se de um camião Canter, com a chapa de matrícula AKJ 510 MP, que transportava 70 sacos de arroz do Programa Mundial de Alimentação destinados aos deslocados da guerra que assola, desde 2017, quase toda a província de Cabo Delgado.
De acordo com os residentes daquele distrito, desde que Sidónio José foi indicado para dirigir aquela população costeira, nunca foi bem-vindo.
“Desde que o Governo nos trouxe o Sidónio para assumir o cargo de administrador, nunca gostámos dele, e a nossa intenção é que nos tragam uma pessoa local”, disse Muidine Abdala, natural de Quissanga.
Segundo ele, já passaram pelo distrito de Quissanga vários dirigentes, sendo que apenas Muibo tentava equilibrar os desejos da população, mas os restantes, incluindo o actual, não servem para eles.
“Estamos a receber os dirigentes por causa da ordem máxima da província, mas, se nos perguntassem, indicaríamos alguém da nossa preferência, e seria uma pessoa da casa”, afirmou Abdala.
Cebo Ali, outro entrevistado pelo jornal Mozanorte e também natural de Quissanga, comparou a situação com a de distritos liderados por naturais da região, como Namuno, Mueda, Ibo, Chiúre e Ancuabe, afirmando que, em Quissanga, todos os dirigentes são provenientes de fora.
“Deixem também os nossos filhos dirigirem-nos. Já estamos cansados de estrangeiros. Quando falámos com Sidónio José acerca da má liderança, ele interpretou isso de outra forma e transferiu alguns funcionários do distrito para postos administrativos e localidades”, disse Cebo Ali.
Recorde-se que o camião que transportava os produtos alimentares encontra-se sob custódia das autoridades, juntamente com algumas pessoas que seguiam na viatura, aguardando decisão das autoridades competentes.
Quando os que carregavam os produtos foram detidos por suspeita de desvio, estes disseram que a grande quantidade pertencia supostamente ao administrador e este quando foi naquela esquadra acabou detido, pouco depois a notícia vazou, mas finalmente está em liberdade de acordo com um fonte, graças a intervenção dos seus superiores. (Abel Buruhane)

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