Agricultores da ilha de Moçambique "vivem na pele" os efeitos das mudanças climáticas



O chefe da repartição de Agricultura e Pesca no Serviço Distrital de Actividades Económicas (SEDAE) da Ilha de Moçambique, Abel Moreira, afirmou que as mudanças climáticas continuam a afectar significativamente a produção agrícola no distrito, sobretudo nas comunidades da zona continental.

Segundo o responsável, o distrito conta actualmente com cerca de 4.500 produtores, dos quais 1.250 são produtores directos, assistidos regularmente pelos extensionistas, enquanto os restantes 3.250 são considerados produtores indirectos.

As actividades agrícolas decorrem principalmente nas comunidades de Sangane, Ramirotho, Ampapa, Ampite, Nampapania, Tibane, Sanculo e Tocolo, zonas consideradas estratégicas para a produção agrícola no distrito.

Abel Moreira explicou que os principais desafios enfrentados pelos agricultores estão ligados às mudanças climáticas, manifestadas através de ciclones, estiagem e chuvas intensas.

“Quando ocorrem chuvas intensas, algumas culturas ficam inundadas, tornam-se amarelas e acabam por morrer, causando prejuízos aos agricultores”, explicou.

O responsável acrescentou que, durante o período chuvoso, entre Janeiro e Abril, o distrito tem sido frequentemente afectado por ciclones, sobretudo no mês de Março, situação que provoca o acamamento e destruição de culturas como o milho, principalmente quando já se encontram na fase de desenvolvimento vegetativo.

A estiagem também preocupa os produtores, uma vez que a falta de chuva compromete a irrigação e leva à perda total das culturas.

Entre as culturas mais afectadas destacam-se o feijão nhemba, holoco e diversas hortícolas.

Para minimizar os impactos, o SEDAE, em coordenação com parceiros de cooperação e organizações não-governamentais, tem prestado assistência técnica aos agricultores e distribuído sementes e insumos agrícolas.

“Temos apoiado os produtores com sementes de tomate, quiabo, couve, alface, cebola e milho, sobretudo para aqueles que praticam agricultura em sistemas de regadio”, disse Abel Moreira.

Além das sementes, os agricultores recebem enxadas, regadores, pulverizadores e outros insumos agrícolas para reforçar a produção.

O responsável recomenda ainda o uso de culturas e sementes de curto ciclo, capazes de produzir em cerca de 90 dias, como forma de adaptação às mudanças climáticas.

Relativamente à campanha agrária 2025/2026, o distrito prevê explorar cerca de 7.092 hectares, com uma meta de produção estimada em 30.579 toneladas de diversos produtos agrícolas.

Até ao momento, foram preparados 6.536 hectares e semeados 6.203 hectares de culturas diversas, embora ainda não tenha sido registada qualquer colheita.

Abel Moreira considera que, neste ano, as chuvas têm ocorrido de forma regular, o que traz alguma satisfação aos agricultores e aumenta as expectativas de uma boa campanha agrícola.

Na ocasião, deixou uma mensagem aos produtores para continuarem a aumentar as áreas de produção e evitarem cultivar em zonas de risco, sobretudo nas proximidades do rio Monapo, frequentemente afectadas por inundações durante períodos de chuva intensa. (Fátima Abacar e Aminatho Zaharia Atumane)

Post a Comment

0 Comments