Agentes de carteira móvel de Ntutupue só se servem entre si

 


Utentes de serviços de carteira móvel denunciam alegadas dificuldades para realizar operações de levantamento e depósito junto dos agentes de e-Mola na aldeia de Ntutupue, distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado.

Segundo relatos recolhidos no local, a aldeia conta com mais de 17 agentes de e-Mola, mas muitos clientes afirmam que não conseguem efectuar operações, apesar de os agentes aparentarem dispor de valores e de a rede estar funcional.

“Passei por vários agentes e todos diziam que não tinham serviço de levantamento nem de depósito. Fui ao mercado e a resposta foi a mesma, mesmo vendo que tinham dinheiro e que a rede estava disponível”, contou um dos clientes.

De acordo com moradores, alguns agentes realizariam operações apenas com pessoas do seu círculo de confiança, dificultando o acesso ao serviço para outros utentes. A situação tem gerado descontentamento entre viajantes e residentes que dependem das carteiras móveis para efectuar pagamentos, compras e outras transacções financeiras.

Faqui Jussa, um dos cidadãos ouvidos sobre o caso, considera que a prática levanta várias dúvidas. “Há necessidade de esclarecer por que razão os agentes recusam prestar serviços a determinados clientes, quando aparentemente têm condições para realizar as operações”, afirmou.

Alguns residentes aconselham os viajantes que passam por Ntutupue a transportarem dinheiro em numerário para evitar constrangimentos durante a viagem, alegando que é frequente encontrar dificuldades para efectuar levantamentos e depósitos na localidade.

Um cliente que posteriormente chegou a Silva Macua relatou o sucedido a vários moradores, que confirmaram já ter ouvido reclamações semelhantes. Segundo essas fontes, há suspeitas de que os serviços de carteira móvel estejam a beneficiar apenas um grupo restrito de utilizadores.

Moradores defendem que as entidades competentes e a operadora responsável pelo serviço devem investigar a situação, de modo a garantir que todos os clientes tenham acesso igualitário aos serviços financeiros móveis. (Abel Buruhane)

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