No sábado, 6 de junho do corrente ano, associações e beneficiários individuais que comercializam pescado nos distritos de Pemba, Mecúfi e Metuge receberam equipamentos para processamento, transporte e conservação de pescado, nomeadamente congeladores, colmeias térmicas, motorizadas e sistemas de painéis solares.
Segundo Oswaldo Petersburgo, Presidente do Conselho de Administração (PCA) do ProAzul, esta iniciativa representa uma modalidade de financiamento inclusivo que promove a responsabilização dos beneficiários e valoriza a participação daqueles que contribuem para o seu próprio desenvolvimento.
“Nesta janela de financiamento para os distritos de Pemba, Mecúfi e Metuge, o valor mínimo de comparticipação das associações e beneficiários individuais foi de 6 mil meticais, enquanto o valor máximo atingiu 132 mil meticais”, afirmou o PCA do ProAzul.
Petersburgo explicou ainda que o valor global de financiamento atribuído à província de Cabo Delgado em 2026 foi de aproximadamente 40 milhões de meticais. Deste montante, 20% correspondeu à comparticipação dos próprios beneficiários, enquanto os restantes 80% foram financiados pelo Banco Mundial, através do Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul do ProAzul.
“O nosso compromisso é continuar a trabalhar para que mais comunidades, mulheres, jovens, associações e empresas possam beneficiar desta oportunidade”, acrescentou.
A seleção dos beneficiários obedeceu a critérios de vulnerabilidade, priorizando deslocados internos (IDPs), mulheres com deficiência, chefes de agregado familiar e beneficiários com elevado número de dependentes.
No âmbito do terceiro ciclo da Janela 1 do Mecanismo de Pequenas Subvenções (MPS), referente ao ciclo de 2026, o Programa apoiou beneficiários individuais e Organizações de Base Comunitária (OCBs), incluindo associações e cooperativas, nos distritos de Mecúfi, Pemba e Metuge.
Ao todo, foram abrangidos 141 beneficiários individuais em Mecúfi. Nos distritos de Pemba e Metuge, o apoio foi direcionado às OCBs, abrangendo 84 organizações comunitárias e cerca de 1.602 membros beneficiários.
Por sua vez, o Governador da Província de Cabo Delgado, Valige Tauabo, afirmou que a pesca é um sector estratégico que contribui para a balança comercial, a segurança alimentar, a geração de emprego e o desenvolvimento do turismo, registando uma evolução positiva ao longo dos anos.
“A entrega do material que acabámos de testemunhar enquadra-se no Programa Mais Peixe, implementado nos distritos de Pemba, Mecúfi e Metuge. No âmbito da Janela 1, foram financiados três ciclos, incluindo um especificamente destinado às mulheres, para a aquisição de kits de trabalho compostos por motorizadas, bicicletas, congeladores, balanças, geradores, colmeias térmicas, entre outros equipamentos”, destacou Valige Tauabo.
O Governador acrescentou que o programa contribui para a implementação de acções concretas destinadas à melhoria das condições de vida dos pescadores e das comunidades pesqueiras, que desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do sector das pescas.
Na ocasião, Valige Tauabo apelou aos beneficiários para que façam o melhor uso dos equipamentos recebidos, de modo a aumentar os níveis de produção, transporte e comercialização do pescado na província. Destacou ainda a importância da gestão responsável da atividade pesqueira, da sensibilização dos pescadores artesanais e da sociedade civil para a prática da pesca sustentável, da preservação do meio ambiente marinho e dos mangais, bem como do combate à pesca ilegal.
Entretanto, os beneficiários dos distritos de Pemba, Mecúfi e Metuge elogiaram a iniciativa do ProAzul. Segundo relataram, as longas distâncias dificultavam o transporte do pescado para outros mercados, obrigando-os frequentemente a alugar motorizadas. Em muitos casos, o peixe chegava ao destino já deteriorado, levando-os a recorrer à secagem como alternativa para evitar perdas.
Por outro lado, beneficiários da localidade de Messanja, no distrito de Metuge, afirmaram que alguns desafios persistem. Segundo explicaram, a comunidade ainda não dispõe de energia elétrica e os painéis solares atualmente disponíveis não possuem capacidade suficiente para alimentar os congeladores, obrigando-os a recorrer à compra de gelo para conservar o pescado. (Abel Buruhane em Pemba)


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