Certo ou errado, legal ou ilegal!?: SE do Niassa suspende operadores faunísticos por alegada inação face ao conflito homem-fauna bravia

A secretaria de Estado da Província do Niassa anunciou a suspensão imediata das actividades de exploração de recursos faunísticos de várias entidades que operam na Reserva Especial do Niassa e zonas circunvizinhas, alegando falta de colaboração com as comunidades locais e insuficiente intervenção na mitigação do conflito homem-fauna bravia.

A decisão foi comunicada esta segunda-feira pelo Secretário de Estado na Província do Niassa, Silva Livone, durante um encontro com operadores faunísticos que desenvolvem actividades na região.

Entre as entidades abrangidas pela medida constam a Sociedade Búfalo Safaris, no distrito de Majune, a Sociedade Nhalikanga, em Marrupa, a Wildlife Conservation Society (WCS), em Mecula, bem como a Direcção de Administração da Reserva Especial do Niassa.

De acordo com o governante, a suspensão resulta do alegado incumprimento dos compromissos assumidos pelos operadores no apoio às comunidades afectadas pelos frequentes conflitos com animais bravios. Segundo explicou, a situação tem causado perdas de vidas humanas e prejuízos significativos na produção agrícola das populações residentes nas zonas de conservação.

Silva Livone manifestou preocupação com o que considera ser uma actuação insuficiente por parte das entidades responsáveis pela gestão e exploração dos recursos faunísticos, defendendo uma maior responsabilidade na protecção das comunidades expostas aos riscos provocados pela fauna bravia.

O Secretário de Estado advertiu ainda que o Executivo provincial poderá adoptar medidas mais severas caso as empresas continuem, segundo afirmou, a privilegiar a conservação da fauna sem responder de forma eficaz às preocupações e necessidades das populações locais.

A decisão surge num contexto de crescente preocupação das autoridades e das comunidades em relação ao aumento dos incidentes envolvendo animais selvagens em áreas habitadas, uma situação que tem alimentado reivindicações por maior intervenção dos operadores e gestores das áreas de conservação. (Mozanorte)

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