Contrariamente às várias investigações sobre as causas do terrorismo na província de Cabo Delgado que apontam a pobreza como uma das causas do aliciamento de jovens às fileiras terroristas, Jonas Abujate, Director Provincial da Juventude, Emprego e Desporto, anda a dizer que isso não é bem assim.
A sua mais recente declaração foi na sexta-feira (21) no distrito de Mocímboa da praia, por sinal onde começou o terrorismo. Foi exactamente naquela vila onde um tal chamado Salumu, natural de Tanzania, sobretudo na região de Kibiti, uma figura importante no processo de instalação de insurgência em Mocímboa da praia, mas menos falado nos meandros da liderança terrorista na imprensa nacional, explorou a vulnerabilidade e a pobreza dos jovens, sobretudo pobres e os radicalizou em nome da Jihad.
Para o Director Provincial da Juventude, Emprego e Desporto isso não é bem assim, por isso em Mocimboa colocou em causa a pobreza como causa do terrorismo "se o motivo de terrorismo era pobreza, actualmente há bastante oportunidade desde a duplicação do FDEL, Mozcomunity, Pro Mulher entre muitos pacotes pro jovem de forma inclusiva que só requer apenas a Paz e convidou abandono das fileiras do terrorismo para seu benefício".
A ideia defendida por ilustre Abujate é, portanto: Se a pobreza fosse o motivo do terrorismo, a existência actual de várias oportunidades e programas destinados aos jovens enfraqueceria essa explicação. Ele menciona o FDEL, Mozcomunity e Pro Mulher, entre outros programas, como exemplos de oportunidades disponíveis.
Há, porém, uma nuance importante: quando Abujate diz assim, mostra que se esqueceu completamente que no passado, momento que a rebelião começou lá para 2017 ou antes, não havia oportunidades como hoje há e as que temos hoje, são para uns e continuam a esquecer os que mais necessitam, pior numa situação em que a corrupção, favoritismo, "njombismo", amiguismo e outros males afectaram muitos sectores da sociedade moçambicana.
A indignação da sociedade civil, da CTA e dos chefes das localidades como vimos recentemente é apenas um exemplo dessa indignação. É sinal de que algo não está bem.
Se for erro, infelizmente aquele dirigente não comete sozinho. Se é ideia própria ou não, prontos, mas todos nos lembramos que o senhor governador de Cabo Delgado também fez saber a mesma narrativa. Valige Tauabo, afirmou em Maio de 2021 que era falso que a falta de emprego fosse a principal razão para os jovens aderirem aos grupos terroristas. Segundo ele, os terroristas estavam, inclusive, a destruir infraestruturas e oportunidades de emprego que estavam a ser criadas.
O ilustre Filipe Nyusi, então Presidente da República, também rejeitou a explicação de que o terrorismo fosse provocado pela pobreza. Em julho de 2021, afirmou que era uma “grande mentira” dizer que havia mais guerra em Cabo Delgado simplesmente porque a província era mais pobre, apontando ainda para interesses relacionados com a riqueza e os recursos da região.
O excelentíssimo Joaquim Chissano, antigo Presidente da República, declarou em 2023 que “a pobreza é utilizada, não é a causa da guerra”. Na sua interpretação, os terroristas exploram a vulnerabilidade das pessoas pobres para recrutá-las, mas a pobreza não explica, por si só, o surgimento do terrorismo. (Mozanorte)

0 Comments