Escassez de combustível forma longas bichas e provoca frustrações em Cabo Delgado


Na província de Cabo Delgado, várias actividades económicas encontram-se paralisadas devido à escassez de combustível, que se verifica há cerca de seis meses.

Segundo Gomes Gosme, residente no distrito de Mueda, a situação naquele distrito é preocupante, uma vez que, quando o combustível chega às bombas de abastecimento, esgota-se em pouco tempo.

"Um litro e meio (1,5 litro) em Mueda custa 350 meticais e, com aquelas subidas, tanto nas motas como nos nossos carros, não dá para nada. Somos obrigados a gastar mais dinheiro apenas com o combustível, deixando de lado outras despesas”, afirmou Gomes Gosme.

O entrevistado avançou ainda que os residentes dos distritos de Nangade e Muidumbe, bem como do Posto Administrativo de Negomano, dependem de Mueda para adquirir combustível. Segundo explicou, alguns compram o produto em bidões para posteriormente revendê-lo, enquanto outra parte é destinada ao consumo próprio.

Por sua vez, Bartolomeu Malapende questiona as causas da actual crise de combustível na província.

"O que está por detrás desta situação do combustível? Não temos este produto ou trata-se de um negócio dos superiores? Como podemos ultrapassar esta dificuldade?”, questionou.

Malapende defende que, havendo combustível no país, Cabo Delgado não deveria enfrentar problemas graves de abastecimento, considerando as diferentes vias disponíveis para o transporte do produto.

"Havendo combustível no país, a província não deveria ter problemas de abastecimento, porque temos três vias para fazer chegar o combustível: marítima, terrestre e aérea. Embora esta última seja mais cara, o importante é que o combustível chegue à província”, explicou.

O entrevistado acrescentou que, tendo Cabo Delgado três terminais de abastecimento, os consumidores não deveriam enfrentar dificuldades desta natureza.

A escassez de combustível também está a afectar o sector da pesca. Segundo Malapende, muitos pescadores que utilizam embarcações a motor encontram-se paralisados por falta de combustível.

"A falta de combustível também afectou os pescadores. Muitos estão totalmente parados. Quando conseguem alguma gasolina e entram no mar para pescar, acabam por aumentar o preço do peixe para compensar os custos e o esforço feito na aquisição do combustível”, afirmou.

A situação afecta vários pontos da província. Entre os distritos que enfrentam maiores dificuldades na aquisição de combustível estão Mecúfi, Namuno, Balama, Ancuabe, Macomia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Ibo. Mesmo os distritos considerados parte do corredor de abastecimento continuam a enfrentar dificuldades na obtenção de gasóleo. (Abel Buruhane)

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