As 212 vagas tornadas públicas pela Direção Provincial de Educação de Cabo Delgado representam uma alegria para os diretores de serviços distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, numa altura em que há denúncia de alegadas vendas das vagas, um duelo para muitos encarregados de educação.
Trata-se de um concurso anunciado através da Nota n.º 141/DPE/DRH/022.12/2026, emitida em Pemba, no dia 4 de janeiro de 2026, e autorizada por despacho de 30 de janeiro de 2026, de Sua Excelência o Governador da Província. O documento autoriza o envio da meta aos distritos para procederem à abertura do concurso de recrutamento do pessoal, neste caso professores para o ano letivo de 2026.
É aqui onde tudo começa. É que há muitos relatos que no sector da educação as vagas estão a venda, e estima-se que o valor total a ser cobrado aos concorrentes do professorado, de diferentes níveis (DN1, DN2 e DN3), possa atingir muitos meticais, sendo milhões, milz sei lá. Na experiência passada, muitos candidatos concorrem, pagam taxas elevadas e, ainda assim, não alcançam o seu objectivo.
Neste ano são 212 vagas, e há concorrentes que afirmam estar a ser cobrados 100.000 meticais para conseguirem um lugar para lecionar. No entanto, muitos ainda nem começaram a trabalhar, levantando a questão: de onde conseguirão valores para pagar tais montantes?
Segundo relatos de alguns concorrentes, os Departamentos Distritais de Recursos Humanos, ao nível dos 17 distritos da província de Cabo Delgado, estariam, neste momento, a recorrer a intermediários (angariadores) que cobram valores para “encaminhar” candidatos às vagas.
Alguns encarregados de educação, finalistas dos IFPs e outros cidadãos apelam para que não se repitam situações semelhantes às ocorridas no concurso do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado, marcado pela alegada venda de vagas. Defendem que o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, em coordenação com a Procuradoria, deve fiscalizar rigorosamente o processo, para evitar novos escândalos e constrangimentos públicos.
Os mesmos afirmam ainda que, após o lançamento do concurso, alguns chefes provinciais estariam a favorecer familiares, namoradas e terceiros, além de vender vagas de forma ilícita.
Por fim, apelam, pela segunda vez, para que o Departamento de Insppeção da Direção Provincial de Educação, bem como os órgãos da Representação do Estado, atuem com firmeza e em coordenação com os seus colegas ao nível distrital, garantindo transparência e justiça no preenchimento das vagas.( Abel Buruhane)

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