Profissionais de saúde abandonam o posto médico de Quinga após desinformação sobre a cólera

Nos últimos dias, na província de Nampula, circula desinformação sobre a cólera, que está a afectar algumas aldeias, postos administrativos e vilas de vários distritos. Em algumas zonas, essa situação tem provocado grande agitação da população devido a boatos.

No posto administrativo de Quinga, no distrito de Liupo, os profissionais de saúde abandonaram as instalações hospitalares a partir do dia 06 de fevereiro, deixando os doentes sem atendimento médico. O abandono deveu-se a uma reunião convocada por um antigo líder de manifestantes agressivos ocorridos naquele local, que atualmente é representante do partido Anamola e reside na própria comunidade.

Durante a reunião realizada no dia 06 de fevereiro de 2026, esse homem, muito popular em quase todo o distrito de Liúpo e conhecido por Amido, alertou os seus apoiantes para ficarem preocupados e preparados para a situação da cólera, alegando que a doença já tinha entrado no posto de saúde. Chegou ainda a incitar a população a afiar catanas para qualquer eventualidade, afirmando que, em caso de morte de alguma pessoa no posto médico, avançariam com a “limpeza” dos supostos responsáveis pela situação.

Perante essas declarações, os profissionais de saúde daquele posto não conseguiram dormir e, ao amanhecer, nenhum deles permaneceu na instituição, tendo-se retirado para a vila-sede do distrito de Liúpo.

Por não ser a primeira vez que uma situação desse tipo ocorre naquele local, os profissionais de saúde já têm experiência e conhecimento da reação da população de Quinga.

No entanto, o problema não se limita a Quinga. Há três dias, no distrito vizinho de Mogincual, no posto administrativo de Quixaxe, também na província de Nampula, houve uma manifestação relacionada com a cólera, após a morte de uma pessoa no hospital local, o que constituiu o principal motivo do início dos protestos. Situação semelhante ocorreu num dos postos administrativos do distrito de Memba, onde a população tentou culpar o chefe do posto administrativo.

Diante desses acontecimentos, as autoridades policiais da província de Nampula manifestam preocupação com a situação que se verifica nos últimos dias em vários distritos.

Assim, a partir da manhã de hoje, dia 07 de fevereiro de 2026, muitas pessoas dirigiram-se ao hospital de Quinga, mas não foram atendidas, uma vez que não há profissionais de saúde no local.

Por outro lado, a parte da população que não concorda com o comportamento da pessoa que convocou a reunião reuniu-se e afirma que irá agir para neutralizar, de forma preventiva, as acções dele e do seu grupo. (BP)

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