Por: Ermelinda João
O que está a ser descrever evidencia o peso da relação entre um dirigente e a população. Mesmo com o Processo n.º 126-A-2026 a correr os seus trâmites no tribunal, tendo Luís António Saide Jumo e Armindo Eusébio Omar como coarguidos, a rua está a falar alto. Muitos querem “matrecar” o gajo que, na sua percepção, está a fazer bem.
E faz sentido o que dizem. Não é comum, em Moçambique, ver uma base popular manter-se firme ao lado de um dirigente enquanto este responde em tribunal. Isso mostra duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, as pessoas estão a associar Jumo às obras, ao atendimento e à ideia de “Lichinga, cidade do futuro”. Quando sentem mudanças no bairro, no mercado e nas ruas, tendem a defender quem consideram responsável por essas mudanças. A ver vamos. Ou ele mantém-se firme para responder o compromisso durante as eleições ou fica abatido em resultado da acusações que pesam para si.
O papel da Justiça
O resto deve ser esclarecido pela Justiça. O tribunal, sob condução do juiz Januário Fone Patiente, está a ouvir os declarantes cinco já foram ouvidos no primeiro dia. Outros na sessão a seguir e assim até a produção das provas.
Trata-se de um dos casos que chama atenção muita massa, por envolver um edil no olho do público como alguém que está a tentar mudar a cidade de Lichingaz há muitos anos esquecida no sistema de governação. O caso envolve a Yao Informática e concursos realizados em 2022 para a aquisição de equipamentos e de dez contentores de lixo, tendo sido despoletado pelo Gabinete Provincial de Combate à Corrupção. Diz-se que aquela empresa é muito próxima ao edil e daí que houve conflito de interesse ou mesmo favoritismo. E será que isso pega ou os munícipes simplesmente vão ignorar?
Aqui não há culpa nem inocência pública. Há acusação, há defesa e há presunção de inocência até que exista uma decisão judicial transitada em julgado. Para a população, este é um teste de maturidade democrática: é possível apoiar uma governação e, ao mesmo tempo, exigir transparência.
Para a gestão pública, processos desta natureza devem servir de incentivo a maior rigor nos concursos públicos e no funcionamento da UGEA, trabalho sim, brincadeiras não. Justiça sim, corrupção não.
Para o tribunal, caberá separar o que é político do que é jurídico e decidir com base nos factos e nas provas produzidas no processo.
Parabéns à população de Lichinga por estar atenta e por participar no debate público. E parabéns ao sistema judicial por levar o processo adiante, cumprindo o seu papel institucional e sem ceder a pressões externas. (X)

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