Quase quatro meses após o Governo moçambicano anunciar o aumento dos preços dos combustíveis, transportadores semi-colectivos de passageiros em Nacala-Porto, província de Nampula, dizem estar a enfrentar dificuldades devido à redução do número de passageiros.
Na manhã desta quarta-feira, 14 de Agosto, a equipa do Mozanorte deslocou-se ao Mercado Central da cidade de Nacala-Porto, onde ouviu alguns transportadores que operam na rota Cidade Alta–Naherengue, com passagem pela zona da Praia de Fernão Veloso.
Segundo os transportadores, a redução da procura verificou-se depois do aumento da tarifa de transporte, que passou de 15 para 20 meticais por viagem.
Carlos Victorino, transportador que opera há mais de quatro anos na rota Praia de Fernão Veloso–Mercado Central, afirma que o aumento da tarifa afectou a procura pelo serviço.
“Depois de termos aumentado o preço do transporte, temos registado pouca adesão por parte dos passageiros. Há muita desvantagem da nossa parte, porque o combustível está muito caro e a nossa receita diária baixou muito”, disse Victorino.
Outro transportador da mesma rota, que preferiu não revelar a sua identidade, aponta dificuldades em cumprir com as obrigações perante o proprietário da viatura, devido à redução das receitas.
“Não é uma tarefa fácil satisfazer as exigências do patronato numa época em que se regista uma redução no uso dos transportes por parte dos passageiros, enquanto o valor que temos de entregar diariamente aumentou”, explicou.
Os transportadores defendem que o aumento dos custos operacionais, sobretudo do combustível, tem contribuído para a redução das receitas. Segundo relatam, a aquisição de combustível nas bombas de abastecimento também tem sido dificultada por períodos de escassez.
O cenário coloca os operadores e passageiros perante um desafio,enquanto os transportadores procuram compensar o aumento dos custos de operação, muitos passageiros optam por reduzir o uso dos semi-colectivos devido ao encarecimento das tarifas.
A situação continua a preocupar os operadores do transporte de passageiros em Nacala-Porto, que apelam para medidas capazes de reduzir o impacto do aumento dos custos de operação sobre o sector e sobre os utentes. (Gabriel Cassimo)

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