Mulheres da cidade de Montepuez, na província de Cabo Delgado, encontram no fabrico e venda de carvão vegetal uma alternativa para garantir o sustento das suas famílias.
A actividade é desenvolvida ao longo da estrada N14, na saída da cidade de Montepuez em direcção ao distrito de Balama, nas proximidades de uma empresa madeireira de capitais chineses que opera naquela zona.
As mulheres aproveitam pedaços de madeira descartados pelas empresas madeireiras, que seleccionam a madeira considerada de qualidade para exportação. O material restante é adquirido pelas mulheres, que o transformam em carvão vegetal através de fornos artesanais.
Segundo Ancha Celino, residente no bairro de Mirige, na cidade de Montepuez, um lote de pedaços de madeira pode ser comprado por cerca de 600 meticais e, depois de processado, permite produzir entre três e cinco sacos de carvão.
“Um montante de pedaços de madeira que eles consideram de carga, compramos por 600 meticais, fazemos fornos e conseguimos produzir de três a cinco sacos de carvão, que depois vendemos a 300 meticais cada saco de 50 quilogramas”, explicou Ancha Celino.
A venda do carvão constitui, para estas mulheres, uma importante fonte de rendimento para fazer face às despesas diárias e apoiar as suas famílias, sobretudo na compra de alimentos e outros bens para os filhos.
Ancha Celino conta que o local tem recebido várias mulheres que procuram uma forma de sobrevivência, muitas delas trabalhando em pequenos grupos.
“Somos muitas que procuramos a sobrevivência naquele local e, com esta actividade, conseguimos ajudar as nossas famílias e comprar algumas coisas para as nossas crianças”, disse.
As mulheres apelam às empresas madeireiras para que continuem a disponibilizar os resíduos de madeira, em vez de os comercializarem, por considerarem que se trata de material que pouco interesse tem para as empresas, mas que representa uma oportunidade de rendimento para as comunidades locais.
“Somos muitos que procuramos a sobrevivência naquele local e o que estamos a pedir é que não vendam a madeira, porque são restos que pouco interessam, atendendo que o produto é local”, afirmou Anifa, outra das mulheres envolvidas na actividade.
Embora também haja homens envolvidos no fabrico de carvão, o maior número de pessoas que desenvolvem esta actividade no local é constituído por mulheres.
A produção artesanal de carvão vegetal surge, assim, como uma das alternativas encontradas por estas famílias para gerar rendimento, aproveitando os resíduos da actividade madeireira existente na região. (Abel Buruhane)

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