Ataques, sequestros, execuções e destruição de casas marcaram a atividade do Estado Islâmico de Moçambique em vários distritos de Cabo Delgado, segundo um boletim de inteligência antiterrorista.
O Estado Islâmico de Moçambique (ISM) manteve uma intensa atividade insurgente na província de Cabo Delgado durante os meses de abril e maio de 2026, segundo o Boletim Mensal de Inteligência Antiterrorista para a África Oriental e Central, divulgado em 27 de julho.
De acordo com o relatório, os ataques atribuídos ao grupo ocorreram em vários distritos, incluindo Ancuabe, Chiure, Macomia, Mocímboa da Praia e Montepuez. Entre os alvos estiveram comunidades civis, forças de segurança moçambicanas, tropas ruandesas e milícias locais.
Um dos episódios de maior impacto ocorreu em 8 de maio, no distrito de Ancuabe, onde, segundo o boletim, mais de 163 casas foram destruídas durante um ataque atribuído a militantes do ISM. No mesmo dia, dois cristãos teriam sido capturados e mortos na região de Namecala.
Dois dias antes, em 5 de maio, o relatório registou outro ataque atribuído ao grupo contra comunidades e milícias em Ncoe, também em Ancuabe, com a alegada destruição de mais de 220 casas. Ainda no mesmo dia, militantes teriam atacado uma mina de diamantes nas proximidades de Namanyumbiri, no distrito de Montepuez.
A atividade insurgente também envolveu confrontos com as forças de segurança. Em 6 de maio, o boletim registou um confronto entre militantes do ISM e forças navais moçambicanas nas proximidades de Quiterajo, em Macomia.
No dia 11 de maio, um veículo das tropas ruandesas teria sido atingido por um dispositivo explosivo improvisado na estrada R762, entre Mocojo e Nambija, em Macomia.
Já em 24 de maio, o grupo teria utilizado morteiros contra militares moçambicanos na área de Sita, enquanto, em 27 de maio, foram registados novos confrontos entre insurgentes e tropas moçambicanas na região de Maririni, distrito de Chiure.
O relatório também descreve uma sequência de ataques contra civis, particularmente comunidades cristãs.
Entre os casos mencionados estão ataques em Nguida, Nkoe, Miegane, Ncoe e Namoro. Em 19 de maio, várias pessoas teriam sido mortas ou feridas num ataque contra cristãos em Namoro, no distrito de Chiure.
Em 21 de maio, militantes teriam atacado cristãos na área de Hokonani, também em Chiure, deixando vários feridos. Quatro dias depois, um novo ataque armado foi registado em Munhunha, perto de Namuno.
Em abril, o boletim atribuiu ao ISM ataques contra comunidades em Macomia, incluindo a morte de dois cristãos em Nguida, em 13 de abril. O relatório também aponta para o sequestro de dois soldados moçambicanos no distrito de Macomia, em 15 de abril.
O boletim conclui que os grupos ligados ao Estado Islâmico na África Oriental e Central continuam capazes de manter operações apesar das campanhas militares contra as suas posições.
Na República Democrática do Congo, o Estado Islâmico na África Central (ISCAP) teria permanecido como o afiliado mais ativo durante o período analisado. Na Somália, o Estado Islâmico também teria recuperado capacidade operacional em áreas montanhosas de Puntland.
Em Cabo Delgado, a avaliação indica que o ISM continua a explorar a mobilidade, o terreno difícil e as fragilidades de segurança para realizar ataques contra civis e forças de segurança. (MozaNorte)

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