Populares da aldeia Milacue sentem-se esquecidos pelo governo local

Segundo os populares da aldeia de Milacue, na localidade de Samora Machel, Posto Administrativo de Ocua, distrito de Chiúre, os moradores sentem-se esquecidos pelo Governo do distrito, daquele ponto de Cabo Delgado.

Falando à nossa reportagem, explicaram que, durante o período da campanha agrícola, os camponeses lutam para conseguir produtos alimentares e de rendimento. No entanto, quando chega o período de comercialização, enfrentam dificuldades e despesas desnecessárias.

“Gastamos muito porque os compradores não aparecem na aldeia de Milacue para comprar os nossos produtos. Assim, somos obrigados a alugar motas para transportar a produção até às zonas onde se encontram os compradores. Os homens das motas acabam por levar metade da nossa produção”, explicou Arlindo Motafiti.

Arlindo Motafiti avançou ainda que, em todos os períodos, os camponeses enfrentam limitações, tanto durante a época chuvosa como no período de comercialização. Segundo ele, quando o Governo precisa dos camponeses no momento próprio, estes chegam pontualmente para prestar o seu apoio.

Os camponeses apontam ainda que os transportadores cobram preços elevados. Segundo eles, quando um transportador leva quatro sacos de milho, dois acabam por ficar com o transportador e apenas dois chegam ao produtor, situação que consideram muito desvantajosa.

“Trabalhar para outras pessoas durante o período da campanha também é doloroso”, lamentou um dos entrevistados.

Outro entrevistado explicou que os seus produtos são aproveitados em condições que considera desfavoráveis. Segundo ele, alguns comerciantes entregam herbicidas em troca de produtos agrícolas e, posteriormente, regressam para recolher a produção no período da colheita, deixando os camponeses em situação de desvantagem.

“O nosso pedido é que, durante o período da campanha de comercialização, o Governo atribua cadernetas a alguns comerciantes licenciados para que possam vir comprar os nossos produtos directamente na nossa aldeia”, afirmou. (Abel Buruhane)

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