Para alguns moto-taxistas
de Nampula, trabalhar deixou de depender apenas de passageiros. Depende, antes
de tudo, de conseguir gasolina, por isso, na manhã desta segunda-feira, dezenas
deles levaram a revolta para as ruas e bloquearam vários pontos da cidade,
incluindo a Estrada Nacional Nº1 (EN1), para exigir uma solução para o que
descrevem como uma crise de abastecimento que se prolonga há mais de quatro
meses.
Nas zonas como Trin-trin, Sipal, CFM e na estrada de acesso ao Mercado do Matadouro, os manifestantes usaram pedras, troncos e as próprias motorizadas para interromper a circulação.
A paralisação rapidamente
provocou congestionamentos e deixou passageiros e automobilistas retidos nas
vias, mas, por detrás das barricadas, está uma queixa que os taxistas dizem ser
mais simples: querem combustível para poder trabalhar, “Estou há uma semana que
não consigo combustível e a pernoitar nas bombas”, contou um dos moto-taxistas.
Segundo os manifestantes,
algumas bombas condicionam o abastecimento à apresentação de requisições,
enquanto os profissionais que dependem das motorizadas para trabalhar dizem não
ter acesso a esses documentos.
A consequência, dizem, é
directa: sem gasolina, não há viagens; sem viagens, não há rendimento., “Não
tenho como fazer a receita. As nossas famílias estão a passar fome porque não
conseguimos trazer comida”, afirmou outro taxista.
No encontro frente a
frente com o governador, os manifestantes questionam ainda a forma como o
combustível disponível está a ser distribuído.
Alguns alegam ter visto viaturas com matrícula estrangeira a transportar combustível e acusam determinados consumidores de conseguirem comprar o produto mediante pagamentos superiores ao preço normal, mas stas alegações carecem de confirmação independente.
A situação obrigou a
intervenção da Polícia da República de Moçambique, que removeu parte das
barricadas para restabelecer a circulação. Alguns manifestantes, contudo,
voltaram a colocar pedras na estrada, mas sem disparos ou uso da violência.
Com o ambiente tenso, o
governador de Nampula, Eduardo Abdula, reuniu-se com os moto-taxistas junto à
sua residência protocolar e apelou à calma, garantindo que a situação será
resolvida brevemente. (Mozanorte)
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