Desde terça-feira, 20 de outubro do ano em curso, têm sido registados casos de óbitos no bairro 5.º Congresso, na localidade de Bilibiza, posto administrativo de Namogelia, distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado. As mortes são associadas a episódios de diarreia, embora algumas fontes apontem para uma possível intoxicação causada pela mistura de produtos químicos nos alimentos.
Gelane Mussa, residente na região, afirmou que, entre os dias 20 e 23 de outubro, morreram 17 pessoas numa única zona do bairro 5.º Congresso, na localidade de Bilibiza, alegadamente devido à diarreia. Segundo a fonte, trata-se de mortes que não foram oficialmente reportadas, uma vez que ocorreram nas residências das vítimas, e não no hospital local.
Por sua vez, outras fontes locais, ligadas às autoridades e que pediram anonimato, afirmaram que as mortes poderão estar relacionadas com o consumo de peixe do rio Lucó, alegadamente envenenado por pescadores da mesma região para facilitar a captura.
O rio Lucó localiza-se naquela zona do posto administrativo de Namogelia, possui águas permanentes e desagua no rio Lúrio, que delimita duas províncias e transporta as suas águas até ao oceano Índico.
Entretanto, fontes do sector da Saúde na sede do distrito de Chiúre afirmaram desconhecer os casos de morte relatados. Contudo, referiram que já tinham registado casos de intoxicação associados à utilização de substâncias tóxicas na pesca, uma prática que consiste em envenenar a água para provocar a morte de grandes quantidades de peixe. Segundo as mesmas fontes, as pessoas afectadas nesses casos receberam assistência médica e encontravam-se em condições estáveis.
“Registámos quatro casos no dia 18 de Julho, e os pacientes já tiveram alta e regressaram às suas casas”, explicaram as fontes, referindo-se a um episódio anterior ocorrido na mesma região.
Actualmente, alguns pescadores e caçadores recorrem à utilização de venenos para capturar peixes e animais selvagens. A facilidade de acesso a estes produtos levanta preocupações quanto à sua utilização indevida e aos riscos que representam para a saúde pública e para o ambiente.
Os vendedores destes produtos também poderão ser afectados pelas consequências desta prática, uma vez que, segundo o relato, comercializam as substâncias para outros fins, mas alguns compradores acabam por desviá-las da sua finalidade original. (Abel Buruhane)
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