Funcionários da edilidade de Nacala-Porto activam greve e gestor senta para negociar

 

No princípio da manhã desta segunda-feira, 30 de março corrente, os funcionários do Conselho Municipal da cidade de Nacala, província de Nampula, norte de Moçambique, encerraram momentaneamente os portões das oficinas em protesto contra o não pagamento de salários há três meses referentes a janeiro, fevereiro e março bem como pela não implementação da Tabela Salarial Única (TSU) e do SISTAF.

Os grevistas, aglomerados em frente às oficinas, acompanhados de vuvuzelas e apitos, paralisaram por completo as actividades do sector de saneamento, bloqueando o portão e impedindo a saída de camiões e máquinas para a rotina diária de trabalho.

A edilidade, sentindo-se pressionada, solicitou a presença dos grevistas na sala de sessões do município para um momento de negociação. Durante cerca de três horas, as conversações decorreram à porta fechada, sem a presença da imprensa.

Os funcionários da autarquia de Nacala, entrevistados pelo Mozanorte, afirmaram o seguinte:

"Queremos os salários de três meses e que, quando formos pagos, seja com base na TSU. É a única luta que está a decorrer aqui. Não iremos abrir os portões sem que as contas reflitam os salários dos três meses”, disse uma das grevistas, aposentada no conselho autárquico.

Após as três horas de negociação, o representante dos grevistas, Júlio Loja, declarou:

"A edilidade prometeu dar uma resposta no prazo de 15 dias quanto à nossa posição sobre a greve. Só voltaremos a abrir os portões assim que recebermos um documento escrito da edilidade como garantia desse prazo. Iremos retomar o trabalho, pois não queremos prejudicar a instituição nem a população, sobretudo devido à cólera. Estamos num período sensível e não queremos ser cúmplices da situação por falta de recolha de lixo.”

Por sua vez, Amândio Frederico, vereador do pelouro das Finanças do Município de Nacala, em representação do presidente do município, Faruk Momade Nuro, afirmou:

"A preocupação dos funcionários é legítima, nomeadamente a criação de condições de trabalho e o pagamento atempado dos salários, entre outros aspectos. Faremos o possível para resolver a situação, tendo em conta que já dispomos de fundos equivalentes a pelo menos um mês e meio de salários.”

Importa referir que, até ao fecho desta reportagem, por volta das 16 horas, os grevistas continuavam no local. Entretanto, a Polícia da República de Moçambique foi acionada para acompanhar a situação. (Gabriel Cassimo)

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