A escassez de combustível no distrito da Ilha de Moçambique está a gerar crescente preocupação entre taxistas e vendedores informais, que relatam dificuldades diárias para manter as suas atividades. Segundo os entrevistados, o produto desapareceu das bombas locais há cerca de três semanas, obrigando-os a recorrer a distritos vizinhos ou ao mercado informal.
O taxista Atumane Abubacar descreve um cenário cada vez mais difícil. “Eu também não sei o que fazer, porque desde que subiu o preço do combustível está complicado para nós. Antigamente, nas bombas, o litro custava 83 meticais. Agora, como acabou, compramos na rua por 150 meticais e mesmo assim é difícil encontrar”, afirmou.
De acordo com o mesmo, o aumento do custo do combustível teve impacto direto nas tarifas de transporte. “Antes, a travessia da parte insular custava 30 meticais, agora passou para 50. O mais preocupante é que às vezes compramos combustível de manhã e não conseguimos recuperar o valor investido durante o dia”, lamentou.
Outro taxista, identificado apenas como Mané, reforça a gravidade da situação. “Comprei combustível a 150 meticais por litro. Aqui na ilha não há. As pessoas que vendem na rua vão buscar em Nacala, Monapo e Mossuril, mas lá também já está a faltar. Por isso o preço do táxi subiu para 50 meticais”, explicou.
Os vendedores informais também enfrentam dificuldades. Jamal, que comercializa combustível de forma alternativa, conta que antes abastecia-se nas bombas locais, mas agora depende de encomendas vindas de outros distritos. “Eu comprava aqui na ilha, mas já não tem. Agora mando vir de Nacala. Chega aqui e vendo a 100 meticais o litro, mas mesmo assim é difícil conseguir”, disse.
Por sua vez, um vendedor ligado a uma bomba de combustível revelou que a escassez já dura há cerca de três semanas e sem previsão de reposição. “O problema não é só aqui, é geral. Ainda não há uma data para normalizar o abastecimento”, afirmou.
A crise de combustível está a afetar diretamente o custo de vida na Ilha de Moçambique, com impactos no transporte e no comércio local, agravando as dificuldades enfrentadas pela população. (Fátima Abacar)

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