Manifestações espirituais e desmaios preocupam comunidade escolar em Morrumone



(Ilha de Moçambique) A Escola Secundária de Morrumone, localizada no posto administrativo de Lumbo, no distrito da Ilha de Moçambique, província de Nampula, enfrenta uma situação preocupante marcada por desmaios frequentes e alegadas manifestações espirituais entre os alunos.

O fenómeno, que teve início há cerca de três anos, começou com algumas alunas do período da manhã. No entanto, em 2026, a situação agravou-se significativamente, atingindo também alunos do sexo masculino e ocorrendo tanto no período diurno quanto no noturno.

Durante uma visita ao local, foi possível presenciar casos de desmaios, incluindo situações de descontrolo em que uma aluna chegou a agredir fisicamente um membro da direção pedagógica, aparentemente sem consciência dos seus atos. O ambiente de medo e tensão tem afetado não apenas os estudantes, mas também os encarregados de educação.

A escola conta com cerca de 1.289 alunos, da 7ª à 12ª classe, distribuídos em apenas 12 salas de aula, o que agrava ainda mais o cenário de instabilidade.

Em entrevista, o diretor da escola, Almeida Amade, afirmou que a instituição se sente limitada diante da situação:

“Os desmaios que os nossos alunos enfrentam são um fenómeno que a própria escola não consegue explicar. Já realizamos reuniões com o conselho da escola e encarregados de educação para encontrar soluções, mas ainda não conseguimos eliminar o problema.”

Segundo o diretor, só nos últimos dias foram registados 20 casos de desmaios, sendo 18 raparigas e 2 rapazes. Ele explica ainda que os episódios costumam começar com um aluno e rapidamente se espalham para outros colegas:

“Quando uma aluna desmaia, acaba por influenciar outras, como se fosse uma espécie de contágio. Por isso, tentamos isolar os casos para evitar que mais alunos sejam afetados.”

Diversas medidas já foram tentadas pela escola, incluindo reuniões comunitárias, realização de orações com líderes religiosos e até a suspensão do uso do uniforme escolar, mas sem resultados positivos.

Alguns encarregados de educação sugeriram a realização de cerimónias tradicionais, tendo sido criada uma comissão para recolha de fundos. Apesar disso, a adesão foi limitada e a situação persiste.

Os alunos, por sua vez, manifestam preocupação e medo. Uma estudante relatou:

“Estamos preocupadas com o que está a acontecer. Muitas colegas desmaiam e isso nos assusta. Às vezes uma cai e outras também começam a cair. Temos medo até de vir à escola.”

A aluna acrescenta ainda que se sente insegura com a forma como os casos são tratados "O que mais dói é que, quando uma colega cai, as aulas continuam normalmente. Um dia pode acontecer algo mais grave.”

Diante da gravidade da situação, a direção da escola espera contar com o apoio das autoridades competentes, incluindo o Ministério da Saúde e organizações internacionais, para investigar as causas e encontrar soluções adequadas.

Uma nova reunião com os encarregados de educação está marcada para o próximo dia 25, com o objetivo de reunir ideias que possam ajudar a ultrapassar o problema. (Fátima Abacar)

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