O distrito da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, enfrenta actualmente um surto de diarreia e vómitos, já confirmado como cólera pelas autoridades de saúde locais.
A situação afecta tanto a zona continental como a insular, atingindo diversos bairros e comunidades desta divisão administrativa.
De acordo com Rosário Silva, responsável pela vigilância epidemiológica ao nível do distrito, o surto foi oficialmente declarado a partir da semana epidemiológica 7, após a recolha e análise de amostras enviadas à província, que confirmaram a presença do agente causador da cólera.
“No início, os casos surgiam principalmente nos bairros da zona continental, mas, com o tempo, começaram também a ser registados na ilha-sede”, explicou.
Entre as áreas consideradas de maior risco estão os bairros de Jembesse, Maringue, Cuthucua, Sanculo, 16 de Junho, Suio e Ampite, na zona continental. Já na zona insular, destacam-se Esteu, Litine, Unidade e Quirahe.
Até ao momento, foram registados cumulativamente 213 casos de diarreia, dos quais muitos já receberam alta médica. Actualmente, 18 pacientes encontram-se internados. As autoridades de saúde garantem que não há registo de óbitos relacionados com a cólera.
Segundo Rosário Silva, os factores que contribuem para o surto incluem o fraco saneamento do meio, agravado durante a época chuvosa, a pobreza, a falta de infraestruturas sanitárias adequadas e práticas como o fecalismo a céu aberto.
A faixa etária mais afectada é a partir dos 15 anos, embora todas as idades estejam vulneráveis à doença.
Para conter a propagação, de acordo com a fonte, as unidades sanitárias do distrito da ilha de Moçambique, contam com equipas de sensibilização que visitam as famílias afectadas, promovendo medidas de higiene e o tratamento adequado da água.
“As unidades sanitárias dispõem de medicamentos e soros suficientes para atender os pacientes. A unidade sanitária do Lumbo é a que tem registado o maior número de casos”, acrescentou.
Em comparação com o ano passado, verifica-se um aumento significativo de casos este ano, uma vez que anteriormente não se registava um número tão elevado de doentes com diarreia e vómitos.
As autoridades de saúde apelam à população para reforçar as medidas de prevenção, como lavar as mãos com frequência, tratar a água para consumo (com cloro ou fervura) e procurar imediatamente uma unidade sanitária ao surgirem sintomas, evitando o tratamento caseiro. (Fátima Abacar)

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