HIV/SIDA: Jovens continuam entre os mais vulneráveis na Ilha de Moçambique



O técnico de saúde e responsável pelo programa de testagem de HIV no distrito da Ilha de Moçambique, Arune Momade, revelou que o distrito registou um aumento de novos casos inscritos no primeiro trimestre de 2026, comparativamente ao mesmo período do ano passado.

Segundo explicou, durante o primeiro trimestre deste ano foram inscritos 205 novos pacientes no programa de HIV, contra 185 registados em igual período de 2025, representando um aumento de cerca de 20 novos casos.

Em relação aos abandonos ao tratamento, Arune afirmou que a situação continua preocupante. “Neste primeiro trimestre registámos 53 abandonos, enquanto no ano passado tivemos apenas 15 abandonos”, explicou.

Por outro lado, houve uma redução no número de óbitos relacionados ao HIV/SIDA. “Este ano tivemos 3 óbitos, contra 9 registados no mesmo período de 2025”, acrescentou.

De acordo com o responsável, os jovens continuam a ser o grupo mais vulnerável devido à baixa adesão às medidas de prevenção. Segundo disse, muitos jovens ainda não têm consciência suficiente sobre os riscos da doença e acabam por não se proteger durante as relações sexuais.

“Os jovens querem experimentar muitas coisas e muitas vezes não se protegem. Apesar dos esforços de sensibilização, ainda prevalece a falta de adesão às medidas de prevenção”, afirmou.

Arune explicou ainda que o distrito da Ilha de Moçambique possui cinco unidades sanitárias equipadas com materiais necessários para o atendimento dos pacientes. As unidades dispõem de testes de diagnóstico e tratamento gratuito para HIV.

Entretanto, um dos maiores desafios enfrentados pelo sector da saúde continua a ser a rejeição da testagem voluntária e do tratamento, sobretudo entre os homens e jovens.

“Muitas pessoas procuram as unidades sanitárias apenas quando já estão gravemente doentes. Algumas testam positivo e rejeitam imediatamente o aconselhamento e o início do tratamento”, lamentou.

O técnico de saúde referiu igualmente que o abandono do tratamento preocupa as autoridades sanitárias, uma vez que muitos pacientes interrompem a medicação por longos períodos, agravando o seu estado clínico.

“No Sistema Nacional de Saúde, considera-se abandono quando o paciente fica mais de 59 dias sem comparecer à unidade sanitária. Alguns podem ser recuperados, mas muitos acabam por regressar já com doenças oportunistas, como a tuberculose, e com a imunidade muito baixa”, explicou.

Actualmente, o distrito da Ilha de Moçambique conta com um total de 6.974 pacientes em tratamento antirretroviral.

Na ocasião, Arune deixou um apelo à juventude para reforçar as medidas de prevenção contra o HIV/SIDA.

“O HIV é uma realidade e continua a tirar vidas. É importante abandonar os mitos e compreender que qualquer pessoa pode contrair a doença. Os jovens devem usar preservativo, evitar partilha de agulhas e procurar fazer o teste o mais cedo possível para iniciar o tratamento em caso de resultado positivo”, concluiu. (Aminatho Zaharia Atumane e Fátima Abacar)

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