Fátima, de 15 anos, é exemplo de muitas raparigas do povoado de Catolé, posto administrativo de Insaca, distrito de Mecanhelas, no Niassa , Norte de Moçambique, que interrompem os estudos ainda na 6ª classe devido à falta de uma escola próxima e às dificuldades de acesso durante a época chuvosa.
Com rios transbordados e caminhos cortados, muitas acabam abandonando os estudos e entrando precocemente no casamento e na maternidade. A comunidade pede a construção de uma escola do nível seguinte e de uma ponte para reduzir o isolamento.
Segundo Fátima, a distância até à escola mais próxima e as dificuldades financeiras da família impediram a continuidade dos estudos. “Muitas amigas minhas estão na mesma situação”, afirmou.
Durante a época chuvosa, os rios que ligam Catolé à vila e à localidade de Nicolope transbordam, dificultando a circulação de pessoas e bens. “Até pessoas desconseguem passar”, contou a adolescente.
A população afirma que, em alguns casos, moradores tentam atravessar os rios mesmo em situação de perigo. “Algumas pessoas tentam passar e acabam morrendo”, disse.
Sem acesso à escola e sem outras oportunidades, várias raparigas acabam abandonando os estudos. Algumas entram em uniões prematuras e outras tornam-se mães ainda adolescentes. “Já tem muitas meninas que já se casaram… até outras meninas têm criança, nem merece-lhes!”, lamentou Fátima.
As adolescentes dizem que tentam ocupar o tempo com atividades recreativas, como dança e futebol, mas enfrentam falta de materiais. “A gente tentou, mas não tinha material. Então paramos”, explicou.
A comunidade pede às autoridades a construção de uma escola secundária e de uma ponte, considerando que as duas infraestruturas podem ajudar a reduzir o abandono escolar e os casamentos prematuros na região. (Jaime Paculeque)

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