Jornalistas de Pemba: convidados e depois descartados para não descobrir falhas do processo de atribuição de bolsas do programa PEPA

Na quarta-feira, 20 de maio do ano em curso, jornalistas de vários órgãos de comunicação social da cidade de Pemba receberam convites para a cobertura da cerimónia de homologação de bolsas, a realizar-se na quinta-feira, dia 21, nas instalações do Instituto Industrial e Comercial de Pemba.

Chegado o dia indicado, 21 de maio, os jornalistas dirigiram-se ao local munidos dos respetivos convites. No entanto, foram informados de que, apesar de possuírem os convites, o evento iria decorrer à porta fechada e nenhum órgão de comunicação social teria acesso, por orientação superior.

“Quando chegámos ao local, fomos informados de que não haveria cobertura. Disseram apenas que, se quiséssemos aguardar pelo lanche, não haveria problema”, explicaram os jornalistas.

O evento enquadrava-se no Programa de Empoderamento Pessoal e Académico (PEPA), financiado pelo projecto Moçambique LNG (TEPMA1), implementado pela Tsemba Life Coaching, Consultoria e Serviços (Tsemba Life CCS) e pelo Instituto Industrial e Comercial de Pemba.

No local encontravam-se representantes de nove órgãos de comunicação social independentes, que não foram autorizados a entrar. Segundo os jornalistas, os organizadores afirmaram ainda que “este é apenas o primeiro encontro e, ainda esta semana, haverá outro evento com as mesmas características, também à porta fechada”.

Entretanto, alguns jornalistas, na tentativa de chegarem cedo ao local para garantir a cobertura, recorreram a táxi-mota, acabando por não ter acesso ao evento.

Após insistência da imprensa, a organização foi obrigada a reembolsar os valores gastos com o transporte em táxi-mota, situação que gerou discussões entre os trabalhadores da organização e os jornalistas.

Outra informação avançada aponta que os jornalistas poderiam descobrir possíveis irregularidades no processo de seleção das bolsas. Segundo algumas fontes, há suspeitas de injustiça na atribuição das bolsas, alegando-se que, muitas vezes, os beneficiários são amigos ou familiares de determinadas pessoas, ou ainda indivíduos que pagam valores para serem favorecidos, contrariando os critérios estabelecidos.

De princípio, estas bolsas deveriam beneficiar pessoas provenientes de famílias vulneráveis, afetadas pelo terrorismo e por outras dificuldades sociais que assolam a população.

Os jornalistas consideram lamentável o facto de os convites terem sido enviados às redações, que mobilizaram as suas equipas para a cobertura, mas, no final, nada ter acontecido. (Abel Buruhane).

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