O representante da Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) em Cabo
Delgado, Waite Azito, critica a fraca adesão dos professores à organização,
considerando que a falta de envolvimento dos profissionais constitui um dos
principais obstáculos à capacidade de reivindicação e intervenção da associação
na defesa dos direitos da classe docente.
Numa mensagem dirigida aos críticos da ANAPRO, publicada na pagine do Facebook,
Azito defende que os professores não devem esperar resultados concretos da
associação sem participarem activamente nas suas actividades, através da
inscrição como membros e do envolvimento nas acções de reivindicação.
Segundo o representante, a ANAPRO surgiu como uma alternativa para defender
os interesses dos professores, num contexto em que, na sua avaliação, a classe
enfrenta problemas que persistem há bastante tempo. Contudo, considera que a
organização continua limitada pela reduzida participação dos próprios profissionais
que pretende representar.
O docente Waite Azito sustenta que o número de membros é determinante para
fortalecer a capacidade negocial da associação junto do Governo, sobretudo em
matérias relacionadas com as condições de trabalho, salários e subsídios dos
professores.
“Se 80% dos professores fizessem parte da ANAPRO, seria fácil dialogar com
o Governo”, defende Azito, argumentando que uma base associativa mais ampla permitiria
reforçar a pressão sobre as autoridades e aumentar a capacidade de mobilização
em caso de incumprimento dos compromissos assumidos.
O responsável esclarece, entretanto, que a ANAPRO não tem competência para
ordenar o pagamento de salários ou subsídios, atribuições que não dependem
directamente da associação. Na sua perspectiva, o papel da organização consiste
em estabelecer diálogo com o Governo, apresentar reivindicações e pressionar
para que os problemas da classe docente sejam resolvidos.
Azito aponta falta de participação como entrave à mobilização
O representante da ANAPRO em Cabo Delgado lamenta aquilo que considera ser
uma postura contraditória de alguns professores, que manifestam
descontentamento nas redes sociais, mas demonstram pouca disponibilidade para
aderir às organizações e às iniciativas de reivindicação colectiva.
Na sua mensagem, questiona igualmente a capacidade de mobilização de uma
eventual greve nacional caso a associação avance com uma medida dessa natureza,
tendo em conta, segundo afirma, a fraca participação dos professores e o receio
de possíveis descontos salariais durante uma paralisação.
Azito defende ainda que a sustentabilidade da ANAPRO depende das
contribuições dos seus membros, necessárias para assegurar o funcionamento da
organização e a continuidade das actividades de defesa dos interesses
profissionais dos docentes.
Sem completar cinco anos de existência, segundo o próprio representante, a
associação tem procurado afirmar-se através de pronunciamentos públicos sobre
os problemas da classe. Azito considera, por isso, que os resultados da sua
intervenção devem ser avaliados tendo em conta o tempo de actividade e os
recursos disponíveis.
O responsável acusa ainda a ANAPRO de enfrentar resistência por parte de
diferentes sectores, alegando que a organização é vista como uma possível
alternativa na representação dos professores. Apesar dos desafios apontados,
garante que a direcção não pretende recuar na defesa dos interesses da classe.
A terminar, Waite Azito apela a uma maior união e participação dos
professores, defendendo que o fortalecimento da ANAPRO depende do envolvimento
dos profissionais nas decisões e nas acções de reivindicação, como condição
para ampliar a sua capacidade de intervenção junto das autoridades. Mozanorte
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