Trata-se de uma paralisação pacífica. Os populares exigem esclarecimentos sobre a ocupação do espaço.
Na segunda-feira, 5 de outubro do ano em curso, populares da localidade de Silva-Mauwa, no Posto Administrativo de Metoro, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, mandaram parar os trabalhos de limpeza de um terreno que estavam a ser realizados com recurso a máquinas pesadas, junto à Estrada Nacional N.º 1 (EN1).
No início da limpeza daquele terreno, foram colocados contentores da empresa FEM, o que levou os populares a exigir esclarecimentos sobre a alegada ocupação ilegal do espaço.
Segundo moradores da zona, as máquinas foram levadas ao local para iniciar o desbravamento do terreno sem o consentimento dos proprietários e sem que lhes fosse explicado o que se pretende fazer naquele espaço.
Perante a situação, os populares pedem às autoridades competentes esclarecimentos sobre três questões: quem autorizou a entrada daquela empresa; qual é o projecto previsto para aquele espaço; e por que razão não houve uma consulta prévia aos proprietários da zona?
“Mandaram limpar sem falar com os donos. Essa mata tem dono, tem machamba durante a campanha e conseguimos produtos para a nossa sobrevivência. Queremos saber o que querem fazer neste terreno”, disse Ancha Moisés, moradora da zona.
Ancha Moisés, na companhia de outros moradores, exige que os trabalhos continuem paralisados até que haja um diálogo com o Governo Distrital, o Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE) e os líderes comunitários de Silva-Makuwa e Metoro.
Os populares explicaram ainda que o Governo tem, segundo eles, adoptado uma prática de ocupação de espaços sem o devido envolvimento das comunidades. Segundo os moradores, é nesses terrenos onde fazem as suas machambas para sustentar as suas famílias e produzem carvão para garantir o seu sustento. Desta vez, afirmam, a ocupação terá ocorrido sem qualquer aviso prévio.
“Na grafite de Ancuabe foi a mesma coisa. Arrancaram-nos os terrenos antes de colhermos os produtos. O mesmo comportamento implementaram com o ouro que tinha sido descoberto na sede de Silva-Makwa. Baniram-nos e, no mesmo lugar, não estão a fazer nada”, afirmaram os populares.
Entretanto, os residentes da zona afirmam que a falta de informação e de consulta à comunidade sobre a ocupação do espaço demonstra, na sua opinião, uma falta de responsabilidade social por parte das autoridades. Defendem que o distrito carece de infra-estruturas e vias de acesso melhoradas, áreas nas quais os eventuais ocupantes poderiam contribuir para minimizar algumas das dificuldades enfrentadas pela população.
O distrito de Ancuabe conta com duas vias de acesso à sede distrital. No entanto, segundo os moradores, ambas se encontram em más condições de transitabilidade, apresentando vários buracos. (Abel Buruhane)

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