Na escuridão da noite, o silêncio das aldeias de Ntotwe e Chibau em Mocimboa da praia, província de Cabo Delgado foi quebrado pela chegada de um grupo de terroristas na noite de terça-feira (4). Entraram sem aviso, sem piedade, impondo mais uma vez o terror sobre uma população já fragilizada por anos de violência.
Em Ntotwe, não deixaram corpos, mas
levaram o sustento de famílias inteiras, cinco sacos de arroz, o alimento que
deveria garantir a sobrevivência de quem ali vive.
Já em Chibau, a brutalidade foi ainda
maior. Mataram uma pessoa, e outra, espancaram sem motivo além da crueldade que
marca suas acções.
Para os habitantes dessas aldeias, o
medo não é um sentimento passageiro, é uma presença constante.
"A gente já não dorme direito.
Quando escutamos falar que eles estão perto, só pensamos em fugir", conta
um morador, com os olhos marcados pelo cansaço e pela incerteza.
A violência não está apenas nas mortes
e agressões, mas também na fome que se espalha. Levar cinco sacos de arroz pode
parecer pouco, mas para quem já tem tão pouco, é a diferença entre alimentar os
filhos ou vê-los passar fome. A guerra em Mocímboa da Praia não é apenas de
tiros e emboscadas, é também uma guerra contra a miséria, contra o desespero de
não ter o mínimo para sobreviver.
Diante dessa realidade, a população
clama por segurança, por respostas, por acções que possam trazer estabilidade e
esperança. (Mozanorte)

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