Katapua: Onde a vida nunca voltará a ser a mesma depois do incidente que envolve Namparamas



A vida da população do posto administrativo de Katapua, distrito de Chiúre, no sul de Cabo Delgado, nunca mais voltará a ser a mesma depois de, no passado domingo, 17 de maio, ter chegado a triste notícia da morte de homens que se ofereceram para defender a sua terra diante dos insurgentes, mas infelizmente sem armas.

Este confronto, que ocorreu nas proximidades da comunidade de Messanja, recentemente incendiada pelos terroristas, é um dos episódios que jamais será esquecido na história dos residentes de Katapua, devido às graves consequências dele resultantes.

Além dos membros do chamado Estado Islâmico que perderam a vida embora o número exato não tenha sido divulgado, estima-se que sejam mais de dez  os defensores locais, conhecidos por Namparamas, sofreram pesadas baixas. Cerca de 40 homens terão perdido a vida naquele combate.

Tratava-se de chefes de família. Considerando que Chiúre é um dos distritos mais populosos de Cabo Delgado, conhecido inclusive como “China 2”, há agora muitos dependentes desamparados. Se tivermos em conta que cada um deles tinha, em média, sete membros sob sua responsabilidade, isso significa que, além de órfãos, há também muitas viúvas.

O mais grave ainda é que os insurgentes violaram um dos direitos mais sagrados: o direito à vida, abandonando depois os corpos das vítimas. Ou seja, não houve um enterro condigno. Ao que tudo indica, estes homens terão sido deixados ao ar livre, expostos aos animais, ou mesmo, conforme referiu uma fonte, lançados numa vala comum.

Não é algo que se possa calar nem tratar com leviandade. São vidas ceifadas por aquele grupo terrorista, e a tragédia jamais permitirá que a vida em Katapua volte a ser a mesma. (Mozanorte)

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