Vendedeiras em Pemba reclamam da subida do preço do transporte e dizem-se sufocadas

 

A equipa do jornal Mozanorte através da secção de mulheres de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, Munanica, em Cabo Delgado, saiu às ruas para acompanhar as actividades do comércio informal no mercado grossista de Pemba, devido à subida dos preços do transporte.

Conversámos com algumas mulheres que se dedicam à venda e revenda de diversos produtos. Entre elas, ouvimos Recardina Nosai, comerciante de tomate para revenda, que afirmou que a situação está cada vez mais difícil.

“Antigamente conseguia sustentar a família e pagar os estudos dos meus filhos, mas agora tudo o que consigo é comprar carril, porque o poder de compra baixou muito. Hoje em dia, aquele funcionário que saía às 15 horas e passava todos os dias no mercado para comprar carril, agora só passa uma ou duas vezes por semana. Segundo eles, o salário já não é como antigamente, quando as datas de pagamento não falhavam”, lamentou.

Segundo a comerciante, o negócio já não está a correr bem. “Mesmo no mercado não há movimento. Há falta de clientes para comprar os nossos produtos. Os custos são elevados e não compensa, mas continuamos a vender para não ficarmos em casa sem fazer nada, porque vale a pena conseguir pelo menos 10 ou 20 meticais para comprar pão”, afirmou.

Outra vendedeira, identificada como Flávia Enzima Cassamo, pediu ao Governo para reduzir os preços dos combustíveis, acreditando que isso poderá contribuir para a redução dos preços dos produtos.

“Estamos a pedir que o Governo tente baixar um pouco o custo dos combustíveis e, automaticamente, os produtos também vão baixar”, disse.

Flávia contou ainda que muitos dos seus clientes compram comida a crédito para pagar no final do mês. Contudo, ultimamente, alguns clientes passam dois ou três dias sem comprar.

“Não é porque não querem comer, mas porque o salário que recebem não chega. Se comerem todos os dias, ficam sem nada. Mesmo na minha barraca é difícil entrar um cliente. Eu confecciono comida, mas ela não acaba, e o dinheiro investido não tem retorno. O negócio da comida precisa vender tudo no mesmo dia”, explicou.

A comerciante acrescentou que os preços dos produtos alimentares aumentam semanalmente, prejudicando os vendedores.

“Não posso aumentar os preços porque há pessoas que vendem apenas por vender. Principalmente aqui no nosso mercado, há quem tenha casa própria, não pague renda nem salários, então vende sem ter muito a perder. Eu continuo a vender com pouco lucro porque não tenho outra actividade para fazer”, lamentou.

As vendedeiras reclamaram ainda das condições do mercado municipal. Segundo elas, pagam 20 meticais por dia, enquanto noutros municípios paga-se apenas 10 meticais.

“No mercado não há casas de banho, o município não limpa o mercado e nós temos de procurar alguém para fazer esse trabalho, que devia ser responsabilidade do município. Estamos stressadas. Nas próximas eleições, eu não vou votar”, declarou uma das comerciantes.

Por sua vez, Hawa Abdul afirmou que, mesmo pedindo a redução dos preços, dificilmente haverá mudanças. "Tudo já subiu e quem sou eu para pedir a redução dos preços? Isso cabe ao Governo decidir”, concluiu. (Repórter Maria Forquilha)


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